Investimento, motor principal

Essencial, o investimento produtivo está retornando

O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2017 | 03h00

Essencial para o crescimento econômico sustentado, o investimento produtivo está retornando, impulsionado em parte pela confiança dos empresários e em parte pela necessidade de repor ou substituir máquinas e equipamentos. O valor investido em outubro foi 0,1% maior que o contabilizado em setembro e 5,6% superior ao registrado um ano antes, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento. Foi a quinta alta consecutiva na sequência mensal. Uma tendência positiva parece bem caracterizada, principalmente na área empresarial, mas no ano o indicador ainda está 2,7% abaixo do estimado de janeiro a outubro de 2016.

O consumo foi o principal motor da recuperação dos negócios e da melhora do emprego, até agora, e isso é normal numa economia com muita capacidade ociosa. Mas a continuação do crescimento só será possível com a expansão da capacidade produtiva. Sem isso, a tentativa de consumir mais acabará resultando em alta de preços e, se nada for feito para corrigir o desajuste, em problemas nas contas externas.

Um dos erros mais graves dos governos petistas foi a implantação de um estilo de crescimento baseado muito mais no consumo do que no fortalecimento da produção. O modelo econômico dominante no petismo poderia ter sido inspirado em comédias de pastelão e de equívocos, se as trapalhadas, nessas comédias, fossem acompanhadas de bandalheiras como as descobertas na Operação Lava Jato.

Os efeitos dessa política apareceram na deterioração das contas públicas, na inflação crescente, na piora das contas externas e na recessão. O desemprego foi o resultado mais cruel dos erros e desmandos do petismo. Famílias durante algum tempo resgatadas da miséria voltaram à pobreza extrema. As centenas de bilhões de reais distribuídos como favores fiscais e financeiros propiciaram ganhos extras a grupos e setores, mas, para o conjunto da economia e da população, os custos foram infinitamente maiores que qualquer benefício.

Uma das boas novidades no relatório do Ipea foi a melhora do setor da construção. Depois de um longo período de estagnação e até de recuos, o indicador da construção civil avançou 0,2% de setembro para outubro e ficou 0,3% acima do nível de um ano antes. A movimentação poderá ser muito maior quando o governo destravar os programas de recuperação, expansão e modernização de infraestrutura.

Juros em queda podem ajudar, mas a confiança é um fator essencial para a tomada de riscos. Em dezembro o índice de confiança do empresário industrial chegou a 58,3 pontos, o nível mais alto desde novembro de 2012, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Valores acima de 50 apontam otimismo. O índice de condições atuais bateu em 52,9, superando a marca de 50 pelo quarto mês consecutivo. O indicador de expectativas atingiu 61 pontos, 9,4 pontos acima do registrado um ano antes.

A sondagem de investimentos da Fundação Getúlio Vargas aponta para a mesma direção. Neste caso a linha divisória corresponde ao nível 100. O indicador do quarto trimestre foi 10,9 pontos mais alto que o do trimestre anterior e alcançou 116 pontos, o resultado mais favorável desde o trimestre inicial de 2014 (116,6). A intenção de investir mais nos próximo 12 meses foi apontada por 26,6% das empresas, a maior proporção desde o primeiro trimestre de 2015. A de estabilidade, por 62,8%. A de redução, por 10,6%.

Os novos dados sobre investimento e sobre intenção de investir complementam de forma animadora a boa notícia trazida pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Em outubro este indicador foi 0,29% superior ao de setembro e 2,9% maior que o de um ano antes. A reativação em 2017 está consumada e as expectativas são de crescimento maior em 2018. Mas o médio e o longo prazos dependem de investimento, de confiança, e a confiança será esvaziada se o programa de ajustes e reformas for travado por um erro político.

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