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Editorial Econômico

Editorial

Investimentos das estatais desabam

Carro-chefe dos investimentos das estatais, a Petrobrás, altamente endividada e prejudicada pelos baixos preços do petróleo, além dos escândalos flagrados pela Operação Lava Jato, puxou para baixo em 2015 o volume de investimentos das 65 empresas do setor produtivo controladas pelo governo federal.

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O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2016 | 03h00

De acordo com relatório do Ministério do Planejamento, há pouco publicado pelo Diário Oficial da União, os investimentos das estatais tiveram queda de 21,6% em 2015, ficando em R$ 80 bilhões, R$ 22 bilhões abaixo do total orçado de R$ 102 bilhões, depois de um corte de R$ 3,8 bilhões nas dotações em meados do ano. A Petrobrás sozinha foi responsável por mais da metade dos cortes, tendo reduzido seus investimentos em R$ 11,5 bilhões (de R$ 63,3 bilhões para R$ 51,8 bilhões), cumprindo apenas 81,9% de seu orçamento.

Os ajustes na carteira de investimento vão ter continuidade este ano, tendo a estatal do petróleo baixado para 2,145 milhões de barris/dia a meta de produção para 2016. Também foram apreciáveis os cortes dos investimentos da Eletrobrás, que só executou 67,5% (cerca de R$ 6 bilhões) do que previa o seu orçamento (de R$ 8,9 bilhões). Obedecendo ao mesmo padrão, a Infraero investiu menos do que pretendia, não passando o total de R$ 1,1 bilhão, 89,7% do valor orçado.

Para poder manter um nível razoável de investimento em 2016, a Petrobrás elaborou um programa de venda de ativos, enquanto a Eletrobrás conta com a concessão de hidrelétricas ao setor privado e a Infraero, como já foi anunciado, vai colocar em leilão quatro aeroportos de grande porte, nos quais deixará de ter qualquer participação.

Com o cenário marcado pelo pessimismo, não se sabe se tais medidas serão capazes de viabilizar novos projetos, atraindo investimentos privados. Mas, cortando realisticamente as suas previsões de investimento, as estatais reduzem o risco de assumir compromissos que podem não ter condições de cumprir.

Os bancos públicos federais estão em melhor situação, mas encolheram a oferta de crédito em 2015 muito mais do que se suspeitava. O Banco do Brasil aplicou apenas 50,8% do que previa seu orçamento, índice menor que o da Caixa Econômica Federal (66,8%), mas superior ao do BNDES (48,7%). Esses dados evidenciam que o aumento da inadimplência forçou os bancos federais a adotar estratégia semelhante à dos bancos privados.

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