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Leitura sem livraria?

O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2014 | 02h 05

Leitores gostam de livrarias. Leitores se alegram quando descobrem uma nova livraria. Leitura e livraria sempre estiveram unidas na vivência do leitor. Mas em diversos países, especialmente nos Estados Unidos, os livros digitais e as vendas pela internet introduzem novos elementos nessa relação. E isso tem levado a uma grande interrogação: será eterna a união entre livraria e leitura "apenas enquanto dure"? E o Brasil, que nunca teve muitas livrarias, também passará por essa ruptura?

Segundo a Associação Nacional de Livrarias, o Brasil tem hoje 3.095 livrarias, o que representa uma livraria para cada 64.954 habitantes. A Unesco recomenda que haja uma livraria para cada 10 mil habitantes. Entre as capitais, Belo Horizonte é a que tem melhor proporção: uma loja física para 13.848 habitantes. Em segundo lugar está Porto Alegre, com uma livraria para 14.913 habitantes. São Paulo, a cidade com o maior número de livrarias (335 unidades), tem uma proporção bem menos favorável ao leitor: 35.664 habitantes para cada livraria. É quase um Estádio do Pacaembu cheio (40 mil pessoas) para uma única loja de livros.

Os dados sobre as livrarias refletem também as diferenças entre as regiões. Na Sudeste, estão 55% das livrarias. Vem seguida pela Região Sul, onde estão localizados 19% das livrarias. A Nordeste está na terceira colocação, com 16% das lojas. A Região Centro-Oeste, incluindo o Distrito Federal, tem 6%. Em último lugar está a Norte, com 4% das livrarias.

O cenário nacional de poucas livrarias - e consequentemente, pouca leitura - não chega a ser uma novidade. O brasileiro lê, em média, 4 livros por ano. A novidade são os desafios, em especial a internet, que se configura como um grande ponto de interrogação para as livrarias. Jason Merkoski, especialista em livros digitais e que trabalhou na Amazon, afirmou ao Estado que "as lojas de livros não conseguirão sobreviver e vão desaparecer". Cita a experiência norte-americana e japonesa: "Uma vez que as pessoas consigam encontrar 80% dos títulos que buscam no digital, a chance de que elas migrem para e-books é de 100%". Em sua opinião, essa mudança ocorre, em média, depois de três anos que os livros digitais estão disponíveis em um país.

Já há alguns anos a experiência das livrarias nos Estados Unidos gera apreensão no mundo. Num primeiro momento, o crescimento das grandes cadeias de livrarias levou à bancarrota milhares de pequenas livrarias. Posteriormente, em 2011, as próprias megalojas enfrentaram dificuldades; por exemplo, a Waterstones e a Barnes & Noble. Esta última, com grande presença na internet, teve de fechar uma das suas mais representativas lojas em Nova York. Caso mais drástico foi o do Grupo Borders, que à época pediu concordata. A crise norte-americana está ainda longe de ser superada. Causas não faltam para o cenário de lá: a crescente presença dos e-readers (e tablets), a venda de livros impressos pela internet, a entrada dos hipermercados na venda de livros (com foco em best sellers e vendas pela internet) e problemas administrativos.

Com intensidade diversa, esses fenômenos podem ser observados no Brasil. No entanto, o setor livreiro nacional prevê que as vendas virtuais, ainda que afetem as lojas físicas, não chegarão a suprimi-las. O setor continua acreditando que as livrarias físicas preservarão a sua relevância e o seu atrativo, já que oferecem uma experiência cultural única.

Por ocasião da crise das livrarias nos EUA, Scott Eyman, escritor e crítico literário, comentava assim a sua importância para a leitura: "Nunca foi difícil comprar um livro que já queríamos, e agora está ainda mais fácil e mais barato. Mas será cada vez mais complicado comprar um livro que não sabíamos que queríamos até nos depararmos com ele. E esta sempre foi a função da livraria, que te permitia descobri-los".

Pelo número de livrarias no País, há espaço para o setor crescer. A dúvida é se o mercado de livros digitais - que vem crescendo no Brasil, mas ainda é pouco significativo quando se compara com outros países - mudará essa equação. Se for pela vontade dos leitores, que as livrarias durem para sempre.

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