Maior abertura ajuda o Brasil no Mercosul

Entre os primeiros 11 meses de 2016 e de 2017, o crescimento das exportações brasileiras para os demais países do bloco foi de 23,6%

O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2018 | 03h04

Houve, em 2017, expressivo crescimento do comércio entre o Brasil e os demais países do Mercosul, mostrou reportagem publicada há dias pelo Estado. A primeira explicação é a recuperação econômica dos países do bloco, mas há outros motivos para a melhora, como a queda de 86% de um total de 78 barreiras comerciais identificadas pelo Brasil e objeto de negociação com os demais sócios. A iniciativa indica maior abertura comercial, ainda que o Mercosul deva continuar sendo visto como “zona de livre-comércio imperfeita”, notou o ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes.

Entre os primeiros 11 meses de 2016 e de 2017, o crescimento das exportações brasileiras para os demais países do bloco foi de 23,6%. Ainda mais aumentaram (28,3%) as vendas de produtos industrializados para a Argentina, o Paraguai e o Uruguai, acima do avanço de 10,3% da exportação total de industrializados, enfatizou o secretário de Comércio Exterior, Abrão Árabe Neto. Nos últimos tempos, disse Árabe, os países-membros do Mercosul passaram a tratar mais de temas econômicos do que de temas políticos.

A Argentina ampliou seu peso entre os consumidores de produtos brasileiros (de 7,2% em 2016 para 8,02% em 2017) e ocupa o terceiro lugar entre os que mais comerciam com o Brasil, abaixo apenas da China e dos Estados Unidos. O Paraguai elevou em mais de 20% as compras no Brasil no período. O Chile, membro associado do bloco, ocupa o sexto lugar entre os maiores importadores do País.

Foi decisiva a contribuição da Argentina para a expansão das exportações brasileiras para o Mercosul – em especial, a exportação de veículos de passageiros e de carga, além de partes e peças para veículos e tratores. Esses três itens representam 43% das vendas para a Argentina e lideram o superávit comercial brasileiro de US$ 7,3 bilhões, aumento de mais de 80% entre 2016 e 2017. A recuperação da economia brasileira será um fator de reequilíbrio do comércio.

A proximidade geográfica e os estímulos que esta propicia ao comércio devem fazer da expansão das exportações e das importações no âmbito do bloco a regra, não uma exceção. A expansão do comércio exterior no âmbito do Mercosul e na América Latina contribuirá para o crescimento da região, que precisa ganhar competitividade para melhor disputar o mercado global.

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