Maior renda dá novo dinamismo ao mercado

Tudo faz crer que essa virada, que confirma o fim da recessão, terá continuidade, com amplas repercussões na economia

O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2017 | 05h17

Os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, do IBGE, são os mais animadores não só sob o aspecto político, mas também social. Refletindo a criação de 1,462 milhão de empregos em um ano, a massa dos salários pagos no terceiro trimestre atingiu R$ 188,1 bilhões, R$ 7 bilhões a mais que em idêntico período de 2016 (R$ 181,1 bilhões), um crescimento de 3,9%. Tudo faz crer que essa virada, que confirma o fim da recessão, terá continuidade, com amplas repercussões na economia.

Como diz Cimar Azevedo, coordenador do IBGE, o aumento da renda disponível propicia o início de um círculo virtuoso, gerando mais demanda por bens e serviços e, em consequência, impulsionando a produção e gerando novos empregos. Os técnicos consideram até ser possível que a redução do desemprego venha a ser mais acelerada daqui por diante, já que as empresas enxugaram demais seus quadros na fase de retração.

De fato, ocorrendo na proximidade das festas de fim de ano e do pagamento do 13.º salário, essa recuperação faz o comércio esperar o melhor Natal dos últimos anos, considerando inclusive a baixa de inflação que deixou de corroer os salários, bem como os reflexos positivos que deve ter a redução da taxa básica de juros.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que o varejo movimente neste fim de ano R$ 34,3 bilhões, um avanço de 4,3% em relação ao ano passado. Com elevação do nível de vendas, certamente serão feitas contratações provisórias, que podem se transformar em definitivas. Embora parte da demanda adicional deva ser suprida por importações, o novo dinamismo do mercado terá impacto sobre os pedidos do comércio à indústria local para reposição de estoques, o que geralmente é estimulado pelas promoções natalinas.

Há, sim, um longo caminho a percorrer. O número de desempregados é ainda muito elevado, estando por volta de 13 milhões de trabalhadores, e a massa salarial ainda está longe do pico registrado em 2014 (R$ 191,5 bilhões).

Contudo, como afirma Rafael Cagnin, economista do Instituto para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), os indicadores de confiança dos empresários estão em alta, e “ninguém está esperando uma reviravolta”. Os negócios vêm sendo conduzidos “com muita calma, mas na direção favorável”.

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