Mais confiança de consumidores de menor renda

São animadores os resultados de outubro do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), pois não apenas foram registrados os melhores indicadores desde maio, como a faixa de menor renda revelou um avanço significativo em relação a setembro

O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2017 | 03h07

São animadores os resultados de outubro do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), pois não apenas foram registrados os melhores indicadores desde maio, como a faixa de menor renda (até R$ 2,1 mil mensais) revelou um avanço significativo em relação a setembro, inferior apenas ao da faixa entre R$ 4,8 mil e R$ 9,6 mil mensais. Não há dúvida de que, na classe de renda mais baixa, há uma crescente percepção do efeito favorável da queda da inflação para o poder aquisitivo das famílias.

Nos últimos 12 meses, a confiança dos consumidores atingiu seu nível mais baixo em dezembro do ano passado, e a partir de então esboçou uma tendência firme de reação. Entre dezembro de 2016 e outubro de 2017, o ICC aumentou 10,6 pontos – de 73,1 pontos para 83,7 pontos (ou 14,5%).

A situação atual dos consumidores ainda é percebida como difícil, mas o índice dessazonalizado de expectativas mostra-se mais forte e superou os 90 pontos em 8 dos 10 meses deste ano (neste mês, foi de 91,8 pontos), aproximando-se, portanto, dos 100 pontos que separam os campos positivo e negativo da pesquisa.

A coordenadora da sondagem, economista Viviane Seda Bittencourt, enfatizou que “a recuperação mais consistente da economia fez que a confiança do consumidor retornasse ao nível anterior à crise política”. As incertezas não foram afastadas, notou Viviane, mas a melhora do consumo foi muito favorecida por decisões oficiais, como a liberação de recursos do FGTS, além da queda de juros e depreciação de bens duráveis. Ou seja, o recuo de preços foi um fator mais relevante para o consumo do que a volta do otimismo.

Os consumidores estão menos insatisfeitos com a situação econômica em geral e mais satisfeitos com as finanças familiares, que estão no maior patamar desde agosto de 2015, segundo o levantamento da FGV. Mas as famílias não parecem dispostas a trocar esse maior conforto financeiro por endividamento e se declaram cautelosas na hora de planejar as compras. A intenção de compra de bens duráveis não só está em níveis baixos, na casa dos 70 pontos, como recuou pelo quinto mês consecutivo em outubro.

A propensão a tomar crédito ainda é baixa, segundo outra pesquisa, da FecomercioSP, divulgada há alguns dias. Ou seja, o consumo parece depender mais das compras à vista.

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