Mais emprego e mais renda

Dados do IBGE mostram o ingresso de cerca de 1 milhão de pessoas no contingente de pessoas ocupadas

O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2017 | 05h00

A queda contínua da taxa de desocupação desde o primeiro trimestre deste ano já seria suficiente para comprovar a melhora persistente do mercado de trabalho. Mas, a despeito de dados ainda muito preocupantes, como a existência de 13,1 milhões de brasileiros que não encontram trabalho e o aumento do número de empregados sem carteira assinada, há outros números positivos e animadores na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua relativa ao trimestre móvel junho-agosto que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acaba de divulgar.

A evolução da taxa de desocupação nos últimos anos aferida pela Pnad Contínua é um resumo estatístico do desastre social provocado pela irresponsável política econômica do governo de Dilma Rousseff, que lançou o País na pior recessão de sua história recente e o setor público na gravíssima crise fiscal que tolhe os investimentos e as políticas públicas.

A taxa de desocupação calculada de acordo com a metodologia atualmente utilizada pelo IBGE alcançou sua menor proporção em relação ao total da força de trabalho no trimestre móvel de setembro a novembro de 2014, com o índice de 6,5%. A crise econômica já estava em progressão e se intensificaria em seguida, mas o clima eleitoral daquela época ainda a mantinha despercebida (recorde-se que a reeleição de Dilma ocorreu nesse trimestre). Essa taxa se repetiu no trimestre móvel seguinte. Desde então, porém, passou a subir de maneira contínua, até atingir seu pico no primeiro trimestre deste ano, quando alcançou 13,7%, mais do dobro do índice registrado no fim do primeiro mandato de Dilma. Agora está caindo, e de maneira consistente, segundo indicam vários fatores.

O índice médio de desemprego de 12,6% registrado nos três meses terminados em agosto ainda é alto e o número de brasileiros sem ocupação remunerada que essa taxa representa não deixa dúvidas quanto à dimensão do drama social que o País ainda vive. Mas, embora seja mais alta do que o de igual período do ano passado, a taxa de desocupação mais recente apurada pelo IBGE representa também o ingresso de cerca de 1 milhão de brasileiros no contingente de pessoas ocupadas.

Mesmo com o aumento do número de pessoas ocupadas, a taxa de desocupação pode crescer se o aumento da força de trabalho – isto é, o total de pessoas ocupadas e de pessoas procurando ocupação – for mais rápido. É o que está acontecendo no momento. Com os sinais de recuperação, pessoas que nos períodos anteriores haviam desistido de procurar uma ocupação remunerada, por desalento, passam a fazê-lo. A redução do desalento é um indicador positivo de que as pessoas acreditam na melhora consistente do mercado de trabalho.

O aumento do número de pessoas ocupadas é provocado, basicamente, pelo mercado informal, isto é, pelo aumento do número de empregados sem carteira assinada. Já o mercado formal, que assegura direitos e benefícios não existentes no informal, está encolhendo. Em um ano, o País perdeu 765 mil vagas com carteira assinada.

Destaque-se, porém, que um dos setores mais fortemente atingidos pela crise, a indústria, vem há meses contratando pessoal com carteira assinada. É nesse setor que estão empregos que exigem melhor qualificação e, por isso, oferecem remuneração mais alta. Em um ano, segundo o IBGE, a indústria contratou 365 mil pessoas (com aumento de 3,2% no total de empregados).

O rendimento real médio habitualmente recebido pelas pessoas ocupadas vem se mantendo praticamente estável. Mas a massa de rendimento real habitualmente recebido pelos ocupados vem mostrando uma recuperação notável. Entre os trimestres março-maio e junho-agosto, o aumento foi de 0,92%. Na comparação com o trimestre junho-agosto de 2016, o aumento foi de 2,7%, variação que estranhamente foi ignorada pelo IBGE. É aumento expressivo, que pode estimular o consumo e dar fôlego à recuperação econômica.

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