Mais sustos na economia global

Uma enxurrada de más notícias varreu dos mercados a boa novidade do fim de semana: a previsão de uma lenta melhora na economia europeia a partir do segundo semestre. A perda de impulso da economia chinesa, a segunda maior do mundo, as incertezas políticas sobre a pequena Grécia, o prejuízo anunciado pelo gigante americano J. P. Morgan e o pesado ajuste previsto para os bancos espanhóis ocuparam analistas e operadores de bolsas durante a maior parte da sexta-feira. No fim do dia, o líder do Partido Socialista grego, Evangelos Venizelos, anunciou haver desistido de formar um governo de coalizão e marcou encontro com o presidente para comunicar-lhe oficialmente o fracasso. A hipótese de uma nova eleição parlamentar na Grécia, como parte do esforço para formação de um gabinete, vem sendo um forte motivo de preocupação nos mercados financeiros.

O Estado de S.Paulo

12 Maio 2012 | 03h07

Os sustos têm vindo tanto de pequenas economias, como a grega, quanto das maiores. Em abril, a produção industrial chinesa foi 9,3% maior que a de um ano antes. Especialistas haviam projetado um aumento de 12,2%. Os sinais de desaceleração parecem muito claros. Em março, a indústria havia produzido 11,9% mais que no mês correspondente de 2011. As vendas no varejo também têm avançado mais lentamente. O esfriamento dos negócios já se reflete nas importações chinesas, um dos grandes motores do comércio internacional.

Nos Estados Unidos, a diretoria do J. P. Morgan informou um prejuízo de cerca de US$ 2 bilhões no segundo trimestre. O executivo-chefe do banco, James Dimon, reconheceu "erros escandalosos" e prometeu medidas para melhorar o desempenho. As ações do banco caíram 8%, surgiram rumores sobre novos rebaixamentos de instituições financeiras americanas e a Securities Exchange Comission (SEC), a agência reguladora e fiscalizadora do mercado de capitais, anunciou uma severa investigação. Juntaram-se ingredientes em número mais que suficiente para repor o sistema bancário no topo das preocupações - pelo menos até se conhecer o tamanho do estrago causado pelos desmandos no J. P. Morgan.

Na Europa, a melhor notícia da semana foi a previsão de uma retomada do crescimento regional a partir do segundo semestre, de acordo com as estatísticas da Comissão Europeia. A recuperação nos próximos meses ainda será insuficiente para um resultado, em 2012, melhor que o previsto nas projeções divulgadas em fevereiro. A União Europeia fechará o ano com crescimento nulo e o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro deve encolher 0,3% no período. A melhora deverá ser mais sensível em 2013, com expansão de 1,3% para o bloco europeu e de 1% para a união monetária. O desemprego continuará elevado - 10% na União Europeia e 11% na área do euro - e o ajuste das contas públicas deverá avançar.

Neste item, a média das projeções é bastante animadora. O déficit público deve cair 3,3%, em média, no conjunto maior, e cerca de 2,9% na união monetária, um resultado espantoso, à primeira vista, quando se consideram os problemas orçamentários de diversos países.

Mas o quadro é bem menos favorável quando se examinam as perspectivas das várias economias nacionais. A evolução da atividade será muito desigual. A Alemanha deve crescer 0,7% em 2012 e 1,7% no próximo ano. A Grécia sofrerá uma contração econômica de 4,7% em 2012 e terá crescimento nulo em 2013. Espanha, Portugal e Itália devem enfrentar recessão neste ano.

As perspectivas são também desiguais quando se trata da situação fiscal. Vários países conseguirão em 2013 um resultado melhor que o déficit de 3% do PIB combinado no pacto fiscal, mas outros serão incapazes de alcançar a meta. Grécia, França, Holanda e Espanha deverão estar nesse grupo. O recém-eleito presidente da França, François Hollande, promete um esforço para alcançar a meta de 3%, segundo informou um assessor na sexta-feira. No dia 15, logo depois da posse, Hollande deverá encontrar-se com a chanceler alemã, Angela Merkel, para uma conversa sobre a economia da zona do euro. Depois da campanha, é hora de enfrentar a realidade.

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