Medo do desemprego ainda é alto

Os números sugerem que a economia precisará crescer com muito mais vigor, o mesmo ocorrendo com a demanda de mão de obra, para que as pessoas tenham mais tranquilidade acerca do emprego

O Estado de S.Paulo

13 Abril 2018 | 03h00

Com indicadores elevados de desemprego, muitos trabalhadores ainda temem não conseguir atividade remunerada e revelam baixa satisfação com a vida. Foi o que mostraram o Índice de Medo do Desemprego e o Índice de Satisfação com a Vida da Confederação Nacional da Indústria (CNI), envolvendo 2 mil entrevistados ouvidos em pesquisas de opinião pública de abrangência nacional conduzidas pelo Ibope Inteligência entre 7 e 10 de dezembro de 2017 e divulgadas há poucos dias.

O medo do desemprego registrou 65,7 pontos em dezembro de 2017, inferior em 2 pontos ao observado em setembro de 2017, mas superior em 0,9 ponto ao indicado em dezembro de 2016. O indicador é muito superior à média histórica de 48,8 pontos e se encontra, segundo os especialistas da CNI, “entre os maiores valores da série”. Ficam evidentes os efeitos não apenas da oferta insatisfatória de emprego formal, como da insuficiência da oferta de empregos informais.

Além disso, a satisfação com a vida deixa a desejar, pois registrou 65,6 pontos em dezembro de 2017, inferior em 0,4 ponto à de setembro de 2017 e da média histórica de 69,9 pontos. Se o medo do desemprego é alto, a satisfação com a vida mostrou uma das pontuações mais baixas da série histórica iniciada em 1996.

Entre 2006 e 2014, os dois indicadores da CNI apresentaram números favoráveis. Naquele período, o medo do desemprego ficou muito abaixo da média histórica, enquanto a satisfação com a vida ficou acima da média.

Os números sugerem que a economia precisará crescer com muito mais vigor, o mesmo ocorrendo com a demanda de mão de obra, para que as pessoas tenham mais tranquilidade acerca do emprego e possam estar mais satisfeitas com a vida que levam.

Não bastaram, portanto, segundo os indicadores da CNI, os efeitos positivos para os trabalhadores provenientes da queda da inflação e do aumento do poder aquisitivo dos salários e das demais rendas. Falta bem mais do que isso.

Os índices são uma advertência às lideranças políticas que se preparam para as eleições para a Presidência da República, os governos estaduais e as câmaras legislativas. Um dos objetivos dos que se apresentarem à disputa deve ser o de infundir nos trabalhadores confiança no futuro. O emprego é parte essencial dessa confiança.

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