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Meirelles e a nova gerência

É importante fortalecer e difundir a imagem de um país sob nova direção, comprometida com a gestão responsável e com políticas de modernização

17 Março 2017 | 03h00

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, levou à Alemanha, onde participa de reunião do Grupo dos 20 (G-20), mensagem sobre a recuperação do Brasil, as oportunidades de investimento e, principalmente, sobre os padrões e objetivos da nova política econômica, mais voltada para o mercado e para a integração global. É importante fortalecer e difundir a imagem de um país sob nova direção, comprometida com a gestão responsável e com políticas de modernização e de crescimento econômico seguro e sustentável. Dois fatos novos podem ter contribuído para reforçar as palavras do ministro, ontem, num seminário à véspera da conferência. O primeiro foi a reavaliação da perspectiva da nota de crédito soberano pela agência Moody’s de classificação de risco. A perspectiva passou de negativa para estável, segundo informação distribuída anteontem. O outro foi o sucesso, ontem, dos leilões de concessão dos aeroportos de Porto Alegre, Florianópolis, Salvador e Fortaleza. Grupos estrangeiros venceram as quatro licitações. Foi um bom começo para uma nova fase de mobilização de capitais privados para a infraestrutura.

O governo anterior, disse o ministro num seminário internacional em Frankfurt, desejava promover investimentos em infraestrutura, “mas queria também controlar o retorno dos investimentos”. Esse “viés muito intervencionista” foi abandonado pelo novo governo, mais comprometido, segundo Meirelles, com uma orientação pró-mercado. O Brasil, disse, nunca deixou de receber um importante volume de investimentos diretos, mesmo na fase de recessão, porque proporciona muitas e variadas oportunidades de negócios. Agora – esse foi o ponto mais forte do recado – as oportunidades são complementadas por uma política mais propícia às iniciativas empresariais.

A apresentação dessa tendência, menos intervencionista e mais favorável ao mercado, foi complementada com referências à diplomacia econômica. O Brasil, comentou o ministro, “esteve um pouco fora da globalização”, mas agora, assegurou, isso está sendo revertido. Mencionou como objetivos do governo uma integração mais eficiente com a Argentina e uma integração no comércio internacional. “Abertura faz bem ao crescimento e sabemos do que estamos falando.” Antes da conferência, ele mencionou, numa entrevista a uma TV americana, perda de produtividade e aumento da inflação como dois efeitos negativos do fechamento comercial.

Além de apresentar o atual governo como menos propenso ao intervencionismo e mais favorável à integração global, o ministro da Fazenda tentou mostrar otimismo quanto à pauta de reformas e à recuperação da economia. Segundo ele, a reativação já começou e algum crescimento marginal já deve ser contabilizado no primeiro trimestre. De fato, há indícios de maior dinamismo em algumas áreas, mas ainda há muita cautela entre consumidores e empresários.

Não caberia ao ministro discutir detalhes desse tipo numa exposição no exterior. Ele sabe das dificuldades e isso ficará mais claro na próxima semana, quando o governo apresentar o relatório bimestral de receitas e despesas federais e a nova estimativa de crescimento econômico para 2017.

Em Frankfurt ele repetiu a expectativa de ver a reforma da Previdência aprovada ainda neste ano. Ressaltou também a importância de outros dois itens da agenda, a reforma trabalhista e a educacional, e mencionou a educação como um desafio especialmente importante. Procurou, além disso, atenuar os temores de paralisação das mudanças por causa das eleições do próximo ano.

Os investidores mais importantes são suficientemente informados para avaliar riscos políticos. O ministro sabe disso, mas procurou cumprir o papel esperado de alguém na sua posição. O importante, sabem todos, é o governo fazer o possível para manter o rumo e para mobilizar apoio a seus planos de modernização. Se o retrocesso for evitado e os avanços continuarem, mesmo com dificuldades, haverá muita gente disposta a pôr suas fichas na economia brasileira.

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