Melhor, mas ainda fraco

No último trimestre do ano, a economia brasileira deverá registrar um desempenho melhor do que o do trimestre anterior, como apontam indicadores mais recentes, mas o resultado final de 2013 não será muito diferente do que vem sendo previsto por analistas do setor privado - um aumento modesto do PIB, de até 2,5%.

O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2013 | 02h05

Além de fraco, e marcado por investimentos ainda insuficientes, o desempenho de 2013 influirá fortemente na atividade econômica em 2014. Por isso, o crescimento médio anual do PIB brasileiro durante o governo Dilma Rousseff não deverá ser muito superior ao resultado previsto para este ano. Será um resultado semelhante ao alcançado durante o governo FHC (média de 2,3% ao ano), mas inferior ao do governo Lula (4% ao ano), inferior, por sua vez, à média de crescimento do País no período republicano (4,6% ao ano).

Depois de ter apresentado um desempenho frustrante entre julho e setembro, quando encolheu 0,5%, a economia parece ter iniciado uma recuperação no último trimestre do ano. Em outubro, alcançou o melhor resultado desde abril, de acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), apontado como uma prévia do PIB, calculado pelo IBGE.

Tendo permanecido praticamente estável entre agosto e setembro (variação de -0,01%), o IBC-Br subiu 0,77% em outubro, na comparação com setembro, passando de 145,99 pontos para 147,12 pontos na série dessazonalizada, o maior nível desde abril, quando alcançou 147,14 pontos. Nos 12 meses encerrados em outubro, o crescimento acumulado é de 2,44% na série sem ajuste sazonal.

Também o Indicador de Atividade Econômica calculado pela Serasa Experian indica a recuperação da economia em outubro. A alta, neste caso, foi de 0,6% na comparação com setembro. De janeiro a outubro, o índice acumula avanço de 2,3%.

A primeira indicação sobre o desempenho em novembro, no entanto, sugere que pode ter havido uma desaceleração da atividade econômica. Depois de três avanços consecutivos, o Indicador Antecedente Composto da Economia, calculado conjuntamente pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pelo The Conference Board, instituição internacional de pesquisas, recuou 0,3% em novembro.

Baseado em expectativas da indústria, do comércio e do setor de serviços, além do desempenho do comércio exterior e do comportamento do Índice Bovespa, o índice da FGV pode refletir incertezas crescentes na área empresarial a respeito da consistência da recuperação da economia no fim de 2013 e nos primeiros meses de 2014.

Se, contrariando as expectativas captadas em novembro pelo índice da FGV, a economia brasileira repetir nos dois últimos meses do ano a expansão de outubro apontada pelos indicadores do BC e da Serasa Experian, terá afastado o risco de ser considerada em recessão técnica, caracterizada por dois trimestres consecutivos de queda da atividade econômica.

O resultado final de 2013, ainda assim, será frustrante. Analistas privados temem que, em 2014, o desempenho seja ainda mais fraco. Um dos dados mais preocupantes captados pelo IBGE foi a redução de 2,2% da formação bruta de capital fixo (medida das contas nacionais que afere investimentos em construção e em máquinas) no terceiro trimestre na comparação com o segundo.

O governo vem afirmando que os investimentos serão o principal motor da economia - para compensar a perda de fôlego do consumo, que impulsionou o crescimento por bastante tempo -, sobretudo em razão das aplicações de capitais públicos e privados nos programas de infraestrutura. Até agora, porém, dada a lentidão das ações do governo, esses investimentos não deslancharam.

Quanto aos investimentos privados na modernização e expansão do parque produtivo, fatores como a alta dos juros e a desvalorização cambial (que favorece os produtos importados) os tornam menos atrativos. Além disso, o clima macroeconômico, marcado por baixo crescimento e por desconfianças com relação às política fiscal e de combate à inflação, não dá confiança aos investidores.

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