Melhora o clima para negócios no Brasil

Classificação do Brasil no Índice de Clima Econômico (ICE) subiu no 3º trimestre; apesar do resultado, o País recisa apresentar resultados concretos

O Estado de S. Paulo

20 Novembro 2016 | 04h00

A classificação do Brasil no Índice de Clima Econômico (ICE), levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV em parceria com o instituto alemão Ifo, subiu de 82 para 90 pontos no 3.º trimestre, enquanto a da América Latina caiu de 79 para 74 pontos. A melhora da classificação do Brasil, que se verifica pelo quarto trimestre consecutivo, deve-se exclusivamente à alta do indicador de expectativas, já que desde julho de 2015 o indicador da situação atual está em 20 pontos, o nível mais baixo da sondagem. O resultado mostra que, no exterior, a percepção é de que a economia brasileira está no rumo da recuperação. Mas, como nota a FGV, é preciso que o País apresente resultados concretos, para que essa percepção se mantenha e fortaleça.

Apesar de realizado antes das eleições presidenciais nos EUA, o ICE considerou a hipótese de vitória de um ou outro candidato. A conclusão foi de que, se Hillary Clinton fosse eleita, o impacto seria positivo em 5,9% para a economia mundial e em 29% para a economia da América Latina. Com a vitória de Donald Trump, sucederia o inverso: impacto negativo de 43% no mundo e de 62% no continente.

Alguns países latino-americanos – como o México, que integra o acordo de livre-comércio da América do Norte (Nafta), e Cuba – devem ser mais afetados pelas decisões que a administração Trump tomar na área econômica e comercial. As consequências diretas seriam menos acentuadas em outros países da área, embora, como se observa, o resultado do pleito nos EUA já provoque a desvalorização do real, com a expectativa de alta da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed). A alta pode ser mais acentuada se Trump reduzir impostos para os mais ricos, com o objetivo de estimular investimentos em infraestrutura ou o retorno de capitais para os EUA.

A política anunciada por Trump de privilegiar a produção industrial americana, impondo elevadíssimas tarifas sobre as importações do México e da China e deslanchando uma onda protecionista mundial, pode afetar o ICE Mundial. Esse índice avançou 5 pontos no 3.º trimestre – retornando à marca de 100 pontos dos três primeiros meses de 2016 –, mas poderia ter sua tendência revertida. Isso afetaria fortemente também o clima econômico no País. Assim, os efeitos da política de Donald Trump sobre o País seriam indiretos.

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