Menos pessimismo e mais demissões na construção

A Sondagem Indústria da Construção, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), indicou redução do ritmo de queda da atividade do setor – que passou de 33,6 pontos em janeiro para 35,2 pontos em fevereiro. Já o Ministério do Trabalho registrou em fevereiro a perda expressiva de 17 mil vagas com carteira assinada e, nos últimos 12 meses, de 405 mil (-13,3%, a maior entre todos os setores e que pôs o de construção entre os que mais demitiram em 2015). Parece melhor, portanto, não alimentar ilusões quanto ao comportamento da construção civil nos próximos meses, e é temerário prever uma reação mais forte em decorrência do ano eleitoral, como ocorreu em épocas passadas.

O Estado de S. Paulo

29 Março 2016 | 03h00

Todos os indicadores da sondagem da CNI apontam para níveis de atividade, emprego, investimento e expectativas inferiores a 50 pontos numa escala entre zero e 100 pontos – ou seja, no campo pessimista.

Houve melhora da expectativa quanto à compra de insumos e matérias-primas, que aumentou 3 pontos de dezembro a fevereiro – de 36,3 para 39,3 pontos –, e quanto ao número de empregados, que cresceu de 37 pontos para 39,2 pontos, na mesma base de comparação. Mas não é o suficiente para reverter a tendência observada há tempos.

Há, em especial, três aspectos mais preocupantes na pesquisa, relativos à atividade atual, à intenção de investir e ao estado de ânimo por porte de empresa. Primeiro, o índice de atividade presente em relação à usual registrou apenas 25,3 pontos, queda de 7,9 pontos em relação a fevereiro de 2015 e o menor da série histórica iniciada em 2009. A Utilização da Capacidade de Operação (UCO) caiu de 60 pontos para 56 pontos entre os meses de fevereiro de 2015 e de 2016 – mostrando que, sem encomendas, é elevado o grau de ociosidade do setor.

Segundo, o índice de intenção de investimento recuou 11 pontos, de 34,5 pontos em março de 2015 para 23,5 pontos neste mês.

Terceiro, entre fevereiro e março aumentou o grau de pessimismo das empresas de menor porte. Embora sejam menos atingidas pela Operação Lava Jato, as companhias pequenas já não esperam conter o impacto da crise nos próximos seis meses.

É insatisfatória a situação da construção de edifícios, das obras de infraestrutura e dos serviços especializados. No mercado residencial, sem demanda e sem oferta adequada de crédito, as construtoras priorizam a liquidação das unidades prontas.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.