1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Mensagem a Obama

  • Tags:

O Council on Foreign Relations não é uma agência do governo dos Estados Unidos. Mas nenhuma entidade do gênero é mais respeitada em Washington do que esse centro independente de estudos sobre política externa. O organismo atrai muitos dos melhores cérebros na matéria, recrutados nas universidades, institutos de pesquisa, empresas, meios de comunicação e ainda no rico celeiro de ex-embaixadores e outros antigos servidores públicos de primeiro escalão. Há algum tempo, 30 deles formaram uma força-tarefa para perscrutar as relações entre os Estados Unidos e o Brasil. Divulgado na última terça-feira, o trabalho sustenta enfaticamente, como diz o seu título, que os EUA devem desenvolver uma parceria madura e forte com o Brasil.

Os inequívocos conselhos aos centros de decisão do governo americano incluem o de que o presidente Barack Obama deve apoiar a pretensão do Brasil a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, ponto focal da atuação do Itamaraty e da diplomacia pessoal do ex-presidente Lula. Mas não é nem por isso - muito menos por algum anacrônico ufanismo - que o estudo deve ser acolhido favoravelmente pelos formuladores e analistas das relações internacionais brasileiras. E, sim, pelo fato de representar um "mapa do caminho" para a consolidação, em termos compatíveis com as novas realidades mundiais, do relacionamento entre as duas maiores democracias do Continente.

A premissa é de que o Brasil deixou de ser eternamente o país do futuro, mas chegou lá. É com esse novo e singular ator global que os Estados Unidos devem desenvolver parcerias numa ampla variedade de palcos - onde ambos os países já se encontram, mas sem interagir o suficiente em benefício mútuo. Se, para defender a inclusão do Brasil no Conselho de Segurança, os autores argumentam que, nessa posição, o País "teria uma maior responsabilidade diante dos principais temas internacionais", para o estreitamento dos vínculos bilaterais a justificativa é outra. "O Brasil figura entre os poucos países aptos a definir o século 21", avalia a força-tarefa. "É a isso que as políticas externas americana e brasileira têm que se ajustar."

Uma coisa, portanto, é promover o Brasil ao núcleo de poder do maior organismo multilateral da atualidade, a ONU, para encorajar a sua "participação construtiva nos assuntos globais" - o que parece embutir um argumento pragmático dirigido a Washington e uma crítica indireta a posições brasileiras, como a aproximação do governo Lula com o regime iraniano, alvo de sucessivas sanções do Conselho de Segurança por suas trapaças e transgressões na área nuclear. Outra coisa é chamar a atenção para as oportunidades recíprocas no momento em que a nova presidente Dilma Rousseff apenas começa a traçar o curso do País para os próximos anos. Esse período deve ser visto por americanos e brasileiros como ocasião propícia para "aprofundar sua parceria mediante a expansão de seus vínculos econômicos e governamentais", aponta o texto.

O Brasil é um parceiro singular porque, diferentemente da China, Rússia e Índia (os membros originais do grupo dos Brics, a que foi agregada a África do Sul), não tem inimigos, nem próximos, nem remotos, tampouco disputas geoestratégicas ou de fronteiras, ou ainda etnias e religiões se digladiando em seu território. E, diferentemente dos Estados Unidos, as únicas tropas nacionais enviadas ao exterior estão em missão de paz. O Brasil não tem ressentimentos históricos em relação ao Ocidente, como a China, ou frustradas ambições hegemônicas, como a Rússia, nem contribuiu para a proliferação de armas nucleares, como a Índia em guerra fria com o atômico vizinho paquistanês.

Brasil e EUA, assinala o trabalho, "professam valores comuns em relação à economia de mercado, primado da lei, direitos individuais, liberdade religiosa, diversidade e igualdade". O essencial, exortam os estudiosos, é superar a oscilação histórica "entre mal-entendidos, elogios públicos e recriminações" e tratar "tanto a cooperação como a divergência" com respeito mútuo e tolerância. Dilma e Obama parecem ser os condutores certos dessa empreitada.

  • Tags:

Você já leu 5 textos neste mês

Continue Lendo

Cadastre-se agora ou faça seu login

É rápido e grátis

Faça o login se você já é cadastro ou assinante

Ou faça o login com o gmail

Login com Google

Sou assinante - Acesso

Para assinar, utilize o seu login e senha de assinante

Já sou cadastrado

Para acessar, utilize o seu login e senha

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão

Quero criar meu login

Acesso fácil e rápido

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha

Esqueci minha senha

Acesso fácil e rápido

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo

Cadastro realizado

Obrigado, você optou por aproveitar todo o nosso conteúdo

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail. Clique no link fornecido e crie sua senha

Importante!

Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail esta ativado

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo