Mercado de trabalho aquecido

Foram expressivos os aumentos salariais reais alcançados em 2010 pelos trabalhadores com carteira assinada, sobretudo os que recebem o piso de suas categorias profissionais e formam a maioria dos empregados do mercado de trabalho formal. Dados mais recentes mostram que, até agora, não há mudanças sensíveis na evolução do emprego no Estado de São Paulo e no País. Em alguns setores e em algumas regiões, registram-se quedas dos índices entre um mês e outro, mas elas ainda são pequenas e não caracterizam uma piora do mercado de trabalho, pois as comparações com os números de igual período de 2010 continuam a mostrar aumento. Isso indica no mínimo a preservação dos ganhos de renda obtidos pelos trabalhadores no ano passado, quando não resulta em ganhos adicionais.

, O Estado de S.Paulo

20 Junho 2011 | 00h00

Estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que, no ano passado, 93,8% dos pisos salariais definidos em 660 convenções coletivas ou acordos coletivos de trabalho tiveram aumento acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do IBGE, utilizado nas negociações sindicais; 2,4% das negociações resultaram em correção dos pisos igual ao INPC; e apenas 3,8% dos pisos tiveram correção menor do que a inflação.

Não é apenas a alta incidência de aumento real dos pisos que se destaca no estudo do Dieese. Ele mostra que mais da metade dos pisos salariais teve aumentos reais entre 2% e 6%. Dos 660 pisos definidos nas negociações do ano passado, 87, ou 13,2%, tiveram aumento real, isto é, acima da inflação, de mais de 8%.

O ano passado foi favorável não apenas para os empregados que ganham o piso salarial. Em geral, os trabalhadores das faixas mais altas também tiveram correção substancial de sua remuneração. Em trabalho anterior, o Dieese mostrou que, das 700 categorias profissionais que negociaram salários com os sindicatos patronais ou com as empresas no ano passado, 89% obtiveram aumento real. Apenas 4% não conseguiram pelo menos assegurar a reposição integral da inflação medida pelo INPC.

O índice de aumentos reais foi o maior já registrado pelo Dieese desde 1996, quando iniciou sua pesquisa. Além de apresentarem a maior incidência de ganhos reais, as negociações do ano passado registraram também o maior número de acordos e convenções fechados com aumentos reais superiores a 3%.

Quanto a emprego, dados do Ministério do Trabalho mostram que, de janeiro a abril, foram criados 880,7 mil postos de trabalho com carteira assinada no País. O acumulado de 12 meses até abril é de 2.294.809 novos empregos.

Já a pesquisa do IBGE, que abrange as seis maiores regiões metropolitanas do País, mas não se restringe ao mercado formal, mostrou que a taxa de desocupação em abril foi de 6,4%, a menor para o mês desde 2002 e praticamente igual à de março, de 6,5%, mas 0,9 ponto porcentual menor do que a de abril de 2010.

Quanto aos indicadores de renda, também aferidos pelo IBGE, os dados de abril mostraram leve piora em relação a março (o rendimento médio real habitual dos ocupados caiu 1,8% e a massa de rendimento real efetivo, 1,6%), mas melhora em relação a abril de 2010 (aumentos de 1,8% e de 4,1%, respectivamente). Em resumo, há mais emprego e a renda é mais alta do que no ano passado.

Pelo menos em São Paulo, a melhora se manteve em maio. O nível de emprego na indústria paulista registrou no mês passado aumento de 0,16% em relação a abril, de acordo com dados da Federação das Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp). Na comparação com maio de 2010, o aumento foi de 3,26%.

A comparação dos dados dos últimos três meses indica uma tendência de estabilização do emprego industrial em São Paulo. Para os próximos meses, a Fiesp prevê uma situação um pouco mais difícil para a indústria e, consequentemente, para os trabalhadores. Quedas não são esperadas, mas apenas uma acomodação dos números. Se ocorrer, será uma acomodação em níveis ainda bastante confortáveis.

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