Mercado de trabalho em lenta retomada

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho deixam claro que está sendo superada a acentuada deterioração observada em 2015 e 2016

O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2018 | 03h14

Embora tenha registrado a perda de 20,8 mil empregos formais, o ano passado marcou uma notável melhora do mercado de trabalho. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho deixam claro que está sendo superada a acentuada deterioração observada em 2015 e 2016 – quando o País perdeu, respectivamente, 1,54 milhão e 1,34 milhão de vagas com carteira assinada. Estes números retratam a severidade com que a recessão atingiu o mercado de trabalho, mas a substancial redução do ritmo de fechamento de postos de trabalho no ano passado mostra que, como outros indicadores econômicos, o emprego também reage.

As variações regionais tiveram grande peso sobre os resultados de 2017. Somente no Estado do Rio de Janeiro, em grave crise fiscal, foram perdidas 92.192 vagas. No Estado de São Paulo, os resultados também foram piores do que o esperado, com saldo negativo de 6.651 vagas no mercado formal. Não é irrealista, porém, a expectativa de que a alta do petróleo, com o decorrente aumento dos “royalties”, venha a impulsionar a economia do Estado do Rio e que a reativação da indústria e da construção civil estimule o emprego em São Paulo.

Outra característica detectada pelo Caged é que os jovens até 24 anos têm sido beneficiados nesta fase. A contratação nessa faixa etária superou em 823,9 mil as dispensas. Já as demissões daqueles com mais de 25 anos ultrapassaram em 844,7 mil as admissões, e 379,9 mil dos dispensados tinham idade entre 50 e 64 anos. Isso pode ser explicado pelo fato de que muitas empresas estão substituindo trabalhadores mais antigos por outros novos, aos quais pagam salários mais baixos. Dados do Ministério do Trabalho indicam que o salário dos que ingressaram no mercado mais recentemente (R$ 1.476) foi 13% menor do que o salário médio pago a todos os empregados (R$ 1.701).

Outro fator que também tem pesado nas admissões é a preferência das empresas por candidatos com maior escolaridade, com curso médio ou superior, considerados mais habilitados para absorver avanços tecnológicos ou novas técnicas de marketing.

O que os dados deixam claro é a necessidade de retreinamento ou reciclagem de trabalhadores para qualificá-los e prepará-los para disputar empregos em uma economia em constante transformação.

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