Minha Casa, Minha Vida luta para atingir a meta

Necessidade de assimilação, pelas empresas, das novas regras de financiamento, combinada com problemas herdados do governo de Dilma, reduziu o ritmo de contratações de novos empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida

O Estado de S.Paulo

16 Maio 2017 | 03h09

A necessidade de assimilação, pelas empresas, das novas regras de financiamento – que elevaram o limite dos preços dos imóveis e das faixas de renda da população que podem participar do programa –, combinada com problemas herdados do governo de Dilma Rousseff, reduziu o ritmo de contratações de novos empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

No primeiro trimestre deste ano foram contratadas apenas 72,6 mil unidades, o que corresponde a 12,7% da meta de construção de 570 mil casas em 2017, de acordo com dados do Ministério das Cidades obtidos pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Avançaram um pouco mais (17,7%) as contratações para as faixas 2 e 3 do programa, financiadas com recursos do FGTS. Já as da faixa 1, subsidiada pelo Tesouro e destinada aos mais pobres, ficaram praticamente estacionadas, sendo construídas apenas 1,8 mil unidades, 1,1% da meta de 170 mil.

Com as mudanças na legislação feitas em fevereiro e que entraram em vigor em março, os tetos de financiamento das faixas 2 e 3, considerados muito baixos pelas incorporadoras, foram elevados de modo a viabilizar novos projetos. Os números de abril já mostram alguma melhora, segundo a secretária nacional de Habitação, Maria Henriqueta Alves.

Os financiamentos para a faixa 1, afetados pelo necessário ajuste fiscal que busca reduzir subsídios, têm outros complicadores. O governo Dilma deixou a pesada herança de 60 mil unidades paralisadas por falta de pagamento, que deveria ser feito a cada 30 dias, prazo depois prorrogado para 90 dias. Como os recursos não foram liberados, muitas casas tiveram a construção suspensa ou foram depredadas. O atual governo, afirma a secretária, voltou a pagar as construtoras em 30 dias, o que permitiu a retomada das obras de 28 mil unidades; outras 8 mil estão em recuperação. Obras novas só serão contratadas se houver recursos.

O setor privado tem reagido bem a essa política. Os empresários esperam, contudo, um ritmo mais acelerado de contratações nos próximos meses, mesmo havendo dúvidas sobre a disponibilidade de verbas do Tesouro para isso. Rubens Menin, da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), está otimista. Ele disse esperar que a meta fixada para este ano seja atingida.

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