Modernização da rede elétrica

Um passo para a modernização da rede elétrica nacional está sendo dado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) com a abertura da audiência pública - que se estenderá até dezembro - sobre o modelo de medidor eletrônico de consumo de energia elétrica que substituirá os medidores analógicos (eletromecânicos) em uso atualmente. Com os novos medidores, chamados de "inteligentes", consumidores e concessionárias do setor elétrico terão informações precisas e instantâneas sobre o consumo e poderão se beneficiar disso.

, O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2010 | 00h00

A intenção do governo é criar tarifas diferentes para determinados horários, mais altas no período de consumo mais intenso e mais baixas nos demais, como já ocorre com as tarifas de telefone. Com o medidor eletrônico, o consumidor poderá verificar quanto está pagando pela energia a cada momento e, desse modo, poderá programar o uso dos equipamentos que mais consomem energia elétrica nos períodos de tarifa mais baixa. Se ele adotar esse comportamento, será reduzido o risco de sobrecarga do sistema de transmissão nos horários de pico e poderá cair o custo da conta de luz.

O medidor registrará também as falhas do sistema, indicando quantas vezes o fornecimento foi interrompido num determinado período e quanto tempo durou a interrupção, para que o consumidor possa saber o valor do desconto a que tem direito em sua conta.

Para as empresas concessionárias, os novos medidores serão ainda mais úteis. Com eles, o consumo poderá ser medido a distância, o que dispensará o trabalho de enviar um funcionário de casa em casa para fazer a leitura dos medidores e, com base nessa leitura, calcular o valor da conta. A concessionária poderá também suspender por controle remoto o fornecimento a um consumidor inadimplente e restabelecê-lo da mesma forma, tão logo a conta tenha sido quitada.

O fato de os novos medidores poderem ser instalados em postes, e não necessariamente na entrada da residência, como é feito atualmente, dificultará as fraudes - como os "gatos" (ligações clandestinas para o furto de energia).

Na primeira etapa, os medidores eletrônicos serão instalados em novas residências ou para substituir os atuais que quebrarem. O custo da instalação será diluído na conta de luz. Só depois se pensará em substituição dos demais. A intenção do governo é instalar os novos medidores em todos os 63 milhões de domicílios urbanos do País. Mas isso levará muito tempo - não há, ainda, prazo definido para a substituição de todos os medidores analógicos.

Mas mesmo a instalação dos primeiros medidores "inteligentes" ainda depende de muitas etapas. A primeira é a audiência pública, para definir o padrão e as características desse medidor (várias empresas já produzem medidores eletrônicos, mas com características que não preenchem todas as especificações propostas pela Aneel).

As regras para a primeira etapa deverão estar definidas no primeiro semestre de 2012. Deverá ser concedido prazo de 18 meses para as concessionárias começarem a instalar os medidores inteligentes em residências novas ou para substituir os que quebrarem. Ou seja, só a partir de meados de 2012 eles começarão a operar (algumas concessionárias já foram autorizadas pela Aneel a utilizar medidores eletrônicos, mas com outras especificações).

Quanto à substituição dos atuais, as regras para isso só serão submetidas a audiência pública no segundo semestre do ano que vem. Só então se começará a discutir prazos e critérios para a universalização do medidor eletrônico.

Quando todo o sistema estiver operando com esse equipamento, o Brasil estará preparado para utilizar o que os técnicos do setor chamam de redes inteligentes de distribuição de energia - ou smart grids -, por meio das quais concessionárias e consumidores disporão de informações em tempo real e terão mais liberdade para administrar o uso da energia elétrica, reduzir perdas, controlar o consumo e aumentar a eficiência do sistema.

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