Museus em alta

Em 2014, os 10 museus mais visitados da cidade de São Paulo tiveram recorde de público. Por essas 10 instituições passaram mais de 3,2 milhões de pessoas ao longo do ano passado. Diversas causas confluíram para que fosse tão expressivo esse número de visitantes, como, por exemplo, os turistas que vieram para a Copa do Mundo e orçamentos generosos, que possibilitaram a montagem de grandes exposições. Mas, além das causas circunstanciais, o recorde de público nos museus da cidade demonstra o interesse da população. Os museus nunca foram tão populares.

O Estado de S.Paulo

26 Abril 2015 | 02h05

O levantamento foi realizado pelo Observatório de Turismo e Eventos, núcleo de estudos e pesquisa da SPTuris, empresa de turismo e eventos em São Paulo, que utilizou como base os números de visitação dos 101 museus em funcionamento na cidade.

O cálculo da SPTuris corrobora o fenômeno observado ao longo do ano passado em vários museus - longas filas de espera, que avançavam pelos quarteirões nos arredores das instituições. Para o coordenador da pesquisa, Fabio Montanheiro, o número está diretamente relacionado com as grandes exposições. "A gente analisou esses números de visitação e concluiu que as exposições temporárias são catalisadoras de visitas", afirmou Montanheiro.

Em 2014, a instituição recordista de público foi o Museu da Imagem e do Som (MIS), com 603.197 visitas. A sua exposição de maior sucesso no ano foi a mostra sobre o seriado Castelo Rá-Tim-Bum, cujo público teve de esperar na fila, em algumas ocasiões, por mais de nove horas. Em seguida, no ranking dos museus mais visitados no ano passado, vem o Catavento Cultural e Educacional, museu de ciência e tecnologia para crianças e adolescentes, que atraiu 509.177 pessoas. Inaugurado há seis anos, o Catavento conta com instalações permanentes, e seu público é formado majoritariamente por grupos de escolas.

A Pinacoteca do Estado de São Paulo ficou em terceiro lugar, com 425.575 visitantes. Além do seu excelente acervo permanente, as gigantescas esculturas realistas do artista plástico australiano Ron Mueck foram motivo para a formação de imensas filas ao redor do museu.

No ranking das 10 instituições mais visitadas na cidade estão também o Museu do Futebol (419.363 visitas), o Museu da Língua Portuguesa (386.789), o Masp (288.883), o Museu Afro Brasil (209.097), o Museu da Casa Brasileira (150.472), a Casa das Rosas (116.487) e o Museu da Imigração (94.781).

Apesar dos excelentes números de visitas, diretores de vários museus estão preocupados no momento com os cortes orçamentários na área cultural, conforme apurou reportagem do Estado. Por exemplo, segundo o diretor do MIS, André Sturm, o orçamento anual do museu, que gira em torno dos R$ 10 milhões, deve sofrer neste ano um corte de R$ 2,6 milhões. É uma realidade inescapável, tendo em vista a situação das contas públicas e da economia nacional que impacta na programação das exposições. Para Fabio Montanheiro, agora está mais difícil de trazer obras do exterior, em razão da alta dos custos. Mas isso não pode esfriar o dinamismo das instituições. "Os diretores de museus devem aproveitar o bom momento que os museus viveram, com esse recorde de visitação, e ampliar a divulgação dos seus arquivos fixos, que merecem ser visitados tanto pelos turistas como por quem mora em São Paulo. É um campo a ser explorado", disse Montanheiro.

Mais do que lamentar o momento de crise, parece importante ver o que está por trás dos números do ano de 2014. Os museus não são uma realidade ultrapassada, como alguém poderia equivocadamente pensar ao ver a força do mundo digital, por exemplo. As instituições culturais são capazes de estabelecer uma profunda conexão com as pessoas e atrair verdadeiras multidões. No momento, é a mostra Picasso e a Modernidade Espanhola, no Centro Cultural Banco do Brasil, que está sendo motivo para longas filas no centro da cidade. A arte continua a atrair.

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