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Nova onda de vandalismo

Os temores de que, à vista dos antecedentes, a manifestação de sexta-feira passada contra o aumento da tarifa de ônibus, trens e metrô – de R$ 3,50 para R$ 3,80 – degenerasse em violência confirmaram-se plenamente. Mais uma vez, os black blocs – marginais mascarados que querem se fazer passar por manifestantes – impuseram sua presença e deixaram um rastro de destruição em vários pontos da capital paulista. É uma história que se repete desde as grandes manifestações de junho de 2013, com as mesmas motivações, os mesmos desvios e o mesmo roteiro de vandalismo.

12 Janeiro 2016 | 03h05

A manifestação começou pacificamente como sempre, às 17 horas, na frente do Teatro Municipal, perto da sede da Prefeitura, com a participação do Movimento Passe Livre (MPL), que a convocou, grupos de secundaristas que participaram recentemente da ocupação de escolas para protestar contra reforma pretendida pelo governo do Estado, movimentos de juventude de partidos de esquerda e do Sindicato dos Metroviários. Uma hora depois, com os mascarados à frente – numa clara indicação de que a violência logo ia começar, sem que nem por isso os organizadores do protesto tivessem tomado qualquer atitude firme para evitar o pior –, a marcha seguiu pelo Largo do Paiçandu, a Avenida Tiradentes e Túnel do Anhangabaú.

A confusão começou na confluência das Avenidas 23 de Maio e 9 de Julho e se espalhou pelas imediações. Depois, os black blocs se dividiram em vários grupos e tomaram a direção da Avenida Paulista, passando pela Avenida Ipiranga e a Rua da Consolação. A cidade assistiu novamente ao festival de depredações promovido pelos mascarados enfurecidos: ônibus, agências bancárias e lixeiras atacados com barras de ferro e extintores de incêndio. Nem viaturas da Polícia Militar (PM) e carros da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da São Paulo Transportes (SPTrans) escaparam. Muitos manifestantes também colaboraram espalhando lixo pelas ruas.

Seguindo as instruções do secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes – que antes da manifestação advertira que ela agiria “fortemente com prisões em relação a eventuais black blocs” –, a PM agiu com rigor. Possíveis excessos de sua parte – como o caso que está sendo investigado de um manifestante que depois de detido por ato de violência levou pontapés de policiais à paisana – não podem ser tolerados. Afora isso, ela atuou da forma que se exige de uma força encarregada de manter a ordem pública, reprimindo a violência e prendendo em flagrante os desordeiros, 17 no total, que já foram soltos. O número de feridos – três PMs e um manifestante – não deixa dúvida de onde partiu a violência.

O governador Geraldo Alckmin está coberto de razão ao condenar “os inaceitáveis atos de vandalismo e a destruição de patrimônio público ocorridos na capital. Vandalismo é crime. Não será tolerado”. A clara distinção feita tanto pelo poder público quanto a população, desde que os black blocs entraram em cena, entre vandalismo e liberdade de expressão precisa ser seguida também pelos vários grupos de manifestantes que tomam as ruas de São Paulo com frequência.

Não basta, como tem acontecido até agora, eles dizerem que suas manifestações pacíficas são desvirtuadas pelos black blocs e lavarem as mãos. O resultado disso é o que se vê desde 2013: a repetição sistemática dos atos de vandalismo, seguidos das tímidas desculpas do MPL e outros movimentos de que nada têm a ver com isso, o que na prática significam cumplicidade. Ou eles fazem uma nítida separação de seu comportamento e o dos black blocs, sem meias-palavras, condenando a violência e ajudando a combater os que a promovem, ou fatalmente serão confundidos com eles, como já vem acontecendo.

Não cabem atitudes politicamente corretas num caso dessa gravidade. Repudiar a ação dos black blocs, que continuarão a ser combatidos pela polícia, é essencial para a defesa da liberdade de expressão, que não se confunde com violência.

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