Novos estímulos ao consumo

Humor no final de ano ajuda a definir como será ano seguinte

O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2017 | 03h01

A constatação de que o ritmo da atividade econômica continua aumentando, embora não na velocidade desejada pelo governo e pelos empresários, tem levado as autoridades a adotar sucessivas medidas de estímulo ao consumo, com o propósito de dar mais consistência à retomada. Essas medidas deverão dar um vigoroso apoio à economia neste fim de ano.

Entre elas estão a liberação de recursos das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do PIS-Pasep e reduções do custo do crédito consignado em folha de pagamento, para citar algumas das mais importantes.

As decisões recentes da Caixa Econômica Federal (CEF) relativas à oferta de crédito habitacional e à abertura de linha de empréstimos para o comércio varejista engrossam o rol de medidas destinadas a animar os negócios às vésperas das festas de fim de ano. Elas se inserem num contexto mais amplo em que a conjuntura econômica começa a se desanuviar, graças à rápida redução da taxa básica de juros, tornada possível pela perspectiva de inflação em baixa e estável, confirmada pelo IPCA e pelo IGP-M há pouco divulgados.

Anunciada há pouco, uma parceria entre a CEF e a Associação de Lojistas de Shoppings (Alshop) vai assegurar linha de crédito de R$ 500 milhões em condições favoráveis para 54 mil comerciantes ligados à entidade, que poderão tomar recursos para capital de giro pagando juros de 0,83% ao mês, muito inferiores à média de mercado. Embora seja um volume de recursos modesto, não se deve menosprezar a importância dos shopping centers como centros de compra, em especial, nas datas festivas.

Outros fatores contribuem também para tornar o momento favorável ao consumo, a começar pela liberação, até o fim deste mês, da primeira parcela do 13.º salário para mais de 83 milhões de pessoas, seguindo-se, até 20 de dezembro, o pagamento da segunda parcela, num total estimado em R$ 200 bilhões pelo Ministério do Trabalho e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Ao todo, 48 milhões de trabalhadores do mercado formal receberão cerca de R$ 133 bilhões e os 35 milhões de aposentados e pensionistas, outros R$ 68 bilhões. Parte desses recursos já foi adiantada a trabalhadores que tiraram férias ao longo do ano ou a aposentados que receberam no terceiro trimestre a metade do 13.º salário, mas a maior parte desse montante só nos próximos dias estará à disposição dos empregados e dos beneficiários da Previdência Social.

O ambiente propício a um fim de ano mais animador para o varejo e a economia já vinha ganhando força com a volta da demanda de mão de obra, inclusive para preencher as vagas temporárias abertas nos fins de ano pelo comércio varejista.

Há uma nítida percepção de que a renda real dos trabalhadores está aumentando, o que reforça a importância de outra decisão da CEF, que anunciou a liberação de R$ 8,7 bilhões para operações de crédito imobiliário destinado a famílias de baixa renda (até R$ 4 mil mensais). O objetivo é atender à demanda de mutuários potenciais que já constatam a melhora da sua renda e das perspectivas de emprego e se dispõem a tomar crédito de longo prazo para adquirir moradia própria.

Os indicadores de queda da inadimplência divulgados pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) também devem ser considerados um sinal positivo para os consumidores, cujos orçamentos domésticos poderão abrigar, sem muito sacrifício, a tomada de novos empréstimos, tanto para investimento, caso da moradia própria, como para consumo.

A melhora do humor nos fins de ano é importante para definir como será 2018. Com mais confiança, os consumidores poderão preparar com menos sufoco do que em anos passados seu planejamento para o ano que vem. Preços mais baixos, como se espera, permitirão que o Natal confirme a melhora de vendas prevista.

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