O acidente no Metrô

O acidente com dois trens do Metrô, na Linha 3-Vermelha, que anteontem se chocaram deixando um saldo de 49 feridos - mas que por pouco não se transforma numa tragédia de grandes proporções -, assustou e chocou principalmente os paulistanos que utilizam diariamente esse meio de transporte. Mas as panes que se vêm repetindo nas linhas do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) levavam a crer que algo desse tipo poderia ocorrer cedo ou tarde.

O Estado de S.Paulo

18 Maio 2012 | 03h06

O choque ocorreu a 600 metros da Estação Carrão, na zona leste, às 9h50, que ficou interditada até as 14h20, com graves reflexos em todo o sistema. Eles estavam na direção Barra Funda, um parado, vazio, e outro em movimento, cheio. Quando o condutor deste último se deu conta de que ele acelerou, em vez de diminuir a velocidade automaticamente a zero para evitar o choque, como deve ocorrer nessas situações, assumiu logo o comando e acionou o freio manual.

Essa manobra permitiu que, no momento da batida, a velocidade estivesse apenas entre 10 km/h e 12 km/h, segundo a Companhia do Metrô. Se o maquinista Rogério Fornaza não tivesse agido com a máxima presteza, o choque, com um dos trens em grande velocidade, teria certamente provocado uma grande tragédia. Por isso, ele está sendo considerado um herói tanto por seus companheiros do sindicato dos metroviários como pelo delegado Oswaldo Nico Gonçalves, responsável pela investigação do caso. Graças a seu sangue-frio e pronta intervenção, o choque fraco apenas jogou os passageiros uns contra os outros e no chão. Depois de um início de pânico, porque as portas dos vagões demoraram a abrir, a maioria logo chegou à linha férrea. Foram socorridos pelos bombeiros e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) 106 passageiros, dos quais 49 com ferimentos, a maioria escoriações.

É elementar que não se deve abusar da sorte nem contar com a repetição de heroísmos e, por isso, cabe à Companhia do Metrô e às autoridades estaduais, a começar pelo secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, tomar o quanto antes todas as providências que se impõem, tanto para apurar as causas do acidentes como para prevenir a ocorrência de outros. Levando em conta as primeiras avaliações feitas pelos técnicos e o depoimento do maquinista, Fernandes afirmou em entrevista ao SPTV da Rede Globo que a causa do acidente deve ter sido uma falha mecânica no sistema de controle dos trens. Se isso se confirmar, serão feitas as devidas correções.

Esta é uma medida obrigatória em termos imediatos. Mas é preciso muito mais do que isso para resolver o problema, como já devem saber as autoridades, à vista das panes que se repetem com frequência e gravidade cada vez maiores no Metrô e na CPTM. Deve-se considerar ainda que a perda de paciência dos usuários pode provocar revolta, agravando o problema. Prova disso foi, há um mês e meio, a reação violenta de passageiros da Linha 7-Rubi, da CPTM, por causa de mais uma pane na rede elétrica, que interrompeu a circulação dos trens. Cerca de mil deles promoveram um quebra-quebra na Estação Francisco Morato, danificando equipamentos e instalações.

O problema desses dois sistemas de transporte sobre trilhos, cada vez mais integrados, é que eles estão superlotados, sobrecarregados, funcionando no limite de sua capacidade. É isso que explica as panes repetidas. A demanda por eles, especialmente pelo Metrô, cresceu muito mais depressa que a ampliação e modernização de ambos. Encontrar formas de adequar uma e outra não é fácil, mas é um desafio do qual o governo não pode escapar.

Além de continuar a investir cada vez mais na ampliação das linhas, é preciso tirar dos dois sistemas o máximo que é tecnicamente possível. E, como os sistemas de transporte coletivo numa metrópole como São Paulo devem ser integrados, é hora de finalmente melhorar o serviço de ônibus, para ajudar a desafogar os outros.

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