O aumento das reservas é uma solução muito cara

O Banco Central (BC) parece não ver nenhum inconveniente em aumentar as reservas internacionais, ao mesmo tempo que o ministro da Fazendo sugere emitir títulos da dívida interna para que o Fundo Soberano Brasileiro possa aumentar suas compras de dólares e assim favorecer uma desvalorização da moeda nacional. Enquanto isso, o governo anuncia que tomará medidas para conter a valorização do real que, no entanto, tardam em se concretizar.

, O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2010 | 00h00

A intervenção do Banco Central no mercado de câmbio vem tomando tal proporção que cabe duvidar sobre estarmos em regime de livre flutuação. E, paradoxalmente, vem contribuindo para atrair mais capitais externos que consideram que não terão surpresas desagradáveis para repatriar suas aplicações.

As reservas do BC já superaram US$ 280 bilhões, oferecendo uma certa tranquilidade diante do déficit das contas externas, porém não se pode esquecer do alto custo dessa intervenção, na medida em que se deve emitir títulos da dívida interna com um juro equivalente à taxa Selic, hoje de 10,75%, para aplicar os dólares em títulos da dívida norte-americana com remuneração insignificante, numa moeda que se desvaloriza a cada dia. Não se pode olhar com a mesma tranquilidade do BC esse aumento das reservas. O fato de representarem apenas 13% do PIB, ante 50% na Suíça, 34% na Coreia do Sul e 40% na China, não é um argumento válido, pois são países em que o diferencial entre a taxa básica interna e a taxa de captação é muito inferior ao nosso.

Caberia às autoridades reduzir a sua intervenção no câmbio e tomar medidas mais severas do que uma elevação do IOF, feita para desvalorizar o real ante o dólar.

Todos os dias ouvimos que as autoridades do governo estão estudando medidas nesse sentido, mas até agora não saímos da mesma situação, ao passo que se verifica que o comércio varejista vive cada vez mais de produtos importados e que a indústria tende a se transformar em montadora de componentes produzidos no exterior.

Tem-se, com isso, a impressão de que o governo teme que uma desvalorização se transforme em pressão inflacionária justamente em período eleitoral. De fato, hoje o IPCA é muito sensível às variações da taxa cambial. O remédio seria compensar esse fator de alta por uma redução das despesas correntes e não se vangloriar de uma estabilidade de preços conseguida graças a uma taxa de câmbio valorizada pela entrada de divisas em busca de operações especulativas.

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