O crescimento da indústria

Depois de ter alcançado, em março, o nível mais alto de utilização de sua capacidade instalada (83%) desde o início da crise financeira mundial, a indústria passou a reduzir lentamente seu ritmo de expansão e, por isso, sua ociosidade aumentava, também lentamente. Em setembro, ela operou, em média, com 81,9% de sua capacidade instalada, índice um pouco inferior ao de agosto, de 82,2%. Dados mais recentes indicam, porém, que a demanda interna continua forte, o que deve impulsionar outra vez a atividade industrial até o fim do ano. Não parecem despropositadas, por isso, as projeções de que, em 2010, a produção industrial deverá crescer 11% em relação a 2009.

, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2010 | 00h00

O terceiro trimestre do ano, como mostram dados e indicadores divulgados pelo IBGE e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi um período de acomodação da atividade industrial. Nos primeiros meses do ano, a produção industrial se intensificou rapidamente, mas, no período julho-setembro, ela se estabilizou. Os estímulos fiscais que vigoraram no início do ano levaram ao acúmulo de estoques, que devem ter sido ajustados nos últimos dois ou três meses, por meio da redução do ritmo de trabalho das fábricas. Também o aumento das importações deve ter contribuído para a redução de atividade da indústria.

Em julho, de acordo com o IBGE, a produção industrial cresceu 0,5% em relação a junho, mas, em agosto e setembro, foi 0,2% menor do que a do mês anterior. Assim, o índice de média móvel trimestral calculado pelo IBGE ficou praticamente estável no período (crescimento de apenas 0,1%).

No mês de setembro, em particular, paralisações programadas por alguns setores industriais (indústria química e de refino de petróleo) e os elevados estoques na indústria siderúrgica foram os fatores que mais afetaram a produção industrial. A acomodação da atividade de outros setores, que, nos meses anteriores, haviam registrado grande crescimento - como o de material elétrico e de comunicações (por causa das vendas de televisores, que cresceram nos meses que antecederam a Copa do Mundo, e dos celulares, cujas exportações aumentaram muito) -, também influiu no resultado negativo de setembro.

Embora registrem pequeno aumento, os indicadores divulgados pela CNI - referentes a faturamento real, horas trabalhadas, emprego e renda - confirmam o processo de acomodação da atividade industrial constatado pelos dados da produção aferidos pelo IBGE.

O faturamento real voltou a crescer em setembro, com aumento de 1,9% em relação a agosto. Na comparação com setembro de 2009, o aumento é de 10%. Quanto às horas trabalhadas, há um pequeno recuo em relação a agosto, de 2,4%. O índice de emprego, no entanto, registrou aumento de 0,5%. A renda real média do trabalhador cresceu 0,5%. Como resultado, a massa salarial cresceu 1,1% em relação a agosto. Na comparação com setembro de 2009, a massa salarial aumentou 6,8%.

É mais dinheiro a ser canalizado para o consumo, que já vem recebendo fortes estímulos com a oferta de crédito. Indicadores indiretos das vendas do comércio mostram crescimento expressivo em outubro. Impulsionadas pelo Dia da Criança, as vendas do comércio de São Paulo devem ter crescido até 11% no mês passado, na comparação com outubro de 2009, de acordo com as consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). O presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, prevê que as vendas podem crescer em ritmo ainda mais intenso até o fim do ano, de modo que, para o comércio, o Natal de 2010 pode ser ainda melhor do que está sendo previsto pelos empresários do setor.

O crescimento das vendas se espalha por vários segmentos do comércio, como super e hipermercados, lojas de móveis e de produtos eletroeletrônicos e de informática. Também crescem rapidamente as vendas de materiais de construção.

Tudo isso terá impacto sobre a produção industrial, cujo período de acomodação, por isso, deve estar terminando.

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