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O custo do rebaixamento da classificação do Brasil

O Tesouro Nacional começa a pagar o custo do rebaixamento da nota brasileira pelas agências de classificação de risco: os bônus soberanos no montante de US$ 1,5 bilhão colocados há alguns dias no mercado global renderão juros de 6,125% ao ano, superiores em 2,237 pontos porcentuais ao custo de 3,888% contratado em operação semelhante, também com prazo de dez anos, realizada em setembro de 2014.

Os termos da operação ajudam a medir o grau de interesse de investidores por papéis brasileiros e servem de referência para emissões de empresas privadas, se estas quiserem e encontrarem espaço no mercado internacional. Nesta década, os papéis soberanos de menor custo foram colocados em setembro de 2012, a juros de 2,686% ao ano.

Foi a primeira operação soberana após o País ter perdido o grau de investimento conferido pelas agências de rating Standard & Poor’s, Fitch e Moody’s. Em números estimados, a emissão custará ao Tesouro US$ 30 milhões por ano de juros mais do que a anterior. Se a dívida mobiliária soberana (de US$ 32 bilhões) em janeiro estivesse sujeita ao mesmo acréscimo de juros, o custo adicional até o vencimento seria de bilhões de dólares – valor que simboliza parte do custo dos erros de política econômica do governo Dilma Rousseff que provocaram déficit fiscal crescente, aumento explosivo da dívida pública, corte da nota do País, inflação e recessão.

Com reservas superiores a US$ 370 bilhões, o Brasil não precisava emitir agora os papéis. Decidiu testar o mercado por três motivos. Primeiro, a melhora dos preços das commodities que desanuviou o mercado global. Segundo, o anúncio de novos estímulos monetários pelo Banco Central Europeu (BCE), que reduziu os juros básicos a -0,4% ao ano, os menores da história. Terceiro, a redução do custo do Credit Default Swap (CDS, espécie de seguro contra um calote do País) para menos de 400 pontos, o menor neste ano. Os três fatores parecem ter sido decisivos para que a demanda superasse a oferta.

A operação de colocação dos papéis soberanos revela não só a importância do grau de investimento para o custo da dívida. Também revela a importância de indicadores como CDS e Embi-Brasil, outra medida instantânea das percepções globais sobre o estado da economia brasileira que melhorou nos últimos dias. Mesmo assim, o País paga juro alto por ser visto como mais arriscado que a média dos emergentes.