O gargalo do ensino médio

Estudo feito pelo Todos Pela Educação revela que o País vem enfrentando dificuldades para superar os gargalos de seu sistema educacional. Segundo o levantamento, apenas 54,3% dos estudantes do ensino médio - o mais problemático de todos os ciclos de ensino - estão conseguindo concluí-lo até os 19 anos. Essa é a idade considerada adequada para o término da última série da educação básica. O Sudeste é a região com índice mais alto de concluintes do ensino médio nessa faixa etária, enquanto o Norte tem o índice mais baixo. A pesquisa também mostra que o porcentual de alunos que concluem o ensino médio até os 19 anos é mais alto nas áreas urbanas e menor nas áreas rurais. Já no ensino fundamental, o cenário é um pouco melhor, revelando que a conclusão até os 16 anos foi alcançada por 71,7% dos adolescentes.

O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2014 | 02h02

Integrado por dirigentes governamentais, educadores, pais de alunos, jornalistas, empresários e representantes da sociedade civil, e apoiado financeiramente pelos principais conglomerados industriais e financeiros do País, o Todos pela Educação é uma organização não governamental apartidária que foi criada há oito anos com o objetivo de defender os direitos dos estudantes e ajudar a melhorar a qualidade da gestão dos recursos públicos aplicados no básico.

A entidade estabeleceu 5 metas a serem alcançadas até 2022, quando o Brasil comemorará o bicentenário de sua independência. Uma dessas metas prevê que, nesse ano, 95% ou mais dos adolescentes com até 16 anos tenham completado as oito séries do ensino fundamental e 90% dos jovens com até 19 anos tenham concluído as três séries do ensino médio. O estudo do Todos pela Educação foi feito com base nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), realizada pelo IBGE em 2013.

O estudo mostra que, enquanto no ensino fundamental o avanço tem sido muito lento, no ensino médio a situação é crítica. Os objetivos intermediários definidos pelo Todos pela Educação para 2013 eram de 84% para o ensino fundamental e de 63,7% para o ensino médio. "A taxa de conclusão do ensino fundamental vem apresentando crescimento, embora em velocidade menor do que a necessária para alcançar a meta. Já a trajetória de conclusão do ensino médio é preocupante, pois apresenta tendência de estagnação. O investimento e a melhora da qualidade do ensino médio são urgentes, ainda que devamos ter a clareza de que o crescimento dos indicadores dependerá da melhoria de toda a educação básica", afirma a gerente da área técnica da entidade, Alejandra Meraz Velasco.

Segundo ela, os avanços foram significativos entre 2007 e 2009, mas perderam a força a partir de 2010. Os dados revelam que o esforço feito para aumentar o desempenho dos alunos nos anos iniciais do ensino fundamental se enfraquecem nos anos finais desse ciclo e na primeira série do ensino médio. Por isso, se as autoridades educacionais não se esforçarem para recuperar o ritmo dos avanços nos próximos anos, dificilmente as metas para 2022 serão alcançadas no ensino fundamental e no ensino médio, adverte Alejandra Meraz Velasco.

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) do Ministério da Educação, José Francisco Soares, reconhece que, apesar de o cenário ser preocupante, os números da Pnad de 2013 mostram que "a educação estaria caminhando ou se se movimentando". Também afirma que as metas do Todos pela Educação são definidas por critérios diferentes dos adotados pelo Plano Nacional de Educação (PNE) e que, com base nele, seria possível ver "melhorias" que a entidade não enxerga. E ainda lembra que o governo adotou programas para estimular os alunos a se formar na faixa adequada, como o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa.

Independentemente dessas justificativas, o fato é que os últimos governos, apesar de terem prometido rever o currículo muito carregado e pouco atraente do ensino médio, que estimula um conhecimento enciclopédico e superficial para os alunos, não conseguiram desatar o nó desse ciclo de ensino.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.