O mapa de mestres e doutores

Levantamento voltou a mostrar que o número de doutores continua aumentando

O Estado de S.Paulo

13 Julho 2016 | 03h00

Ao atualizar o levantamento de mestres e doutores no País, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos voltou a mostrar que o número de doutores continua aumentando, mas ainda permanece abaixo da média mundial. Elaborado com base em dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, da Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino Superior, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Ministério do Trabalho e Emprego, o estudo foi divulgado em Porto Seguro (BA), durante a 68.ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), e apresenta um panorama detalhado das tendências da pós-graduação, oferecendo às agências de fomento as informações de que precisam para definir os critérios de concessão de bolsas de mestrado e doutorado e de financiamento de linhas de pesquisa.

Com o título Doutores 2010: estudos da demografia com base técnico-científica, o levantamento anterior havia mostrado que o número de doutores titulados pelas universidades brasileiras, entre 1996 e 2008, cresceu 278%. Intitulado Mestres e Doutores 2015, o novo levantamento revelou que, entre 1996 e 2014, o crescimento foi de 486%. Em 2014, o Brasil formou 50,2 mil mestres e 16,7 mil doutores – ante 39,5 mil mestres e 11,3 mil doutores, em 2010.

Outra novidade registrada pelo estudo é o aumento do ritmo de descentralização do mapa dos mestres e doutores. Com a concentração do desenvolvimento industrial no Sudeste, em 1996 a maioria absoluta se formava na região. Só os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro foram responsáveis por quase 60% dos títulos então concedidos pelos cursos de pós-graduação. Em 2014, os dois Estados formaram 36% dos mestres e 49% dos pós-graduandos formados no País. Com a criação de universidades em outras partes do País, a Região Norte, que tinha o menor número de cursos de pós-graduação na década de 1990, aumentou em 1.200% o número de mestres entre 1996 e 2014. No doutorado, o crescimento foi superior a 1.400%.

O levantamento também revela que a idade média dos formandos em todos os programas de pós-graduação desde 1996 caiu um ano no mestrado e dois no doutorado. Em 2014, a média era de 32,3 anos para os mestres e de 37,5 para os doutores. O indicador é importante porque mede o tempo de vida útil ao longo do qual os mestres e doutores contribuirão para a economia e para a sociedade. A pesquisa mostra ainda dois outros importantes dados. Em matéria de mercado de trabalho, a taxa de emprego formal de mestres e doutores ficou estável, entre 2009 e 2014, em 66% no caso dos mestres e em 75% no dos doutores. São números expressivos, considerando-se que o grau de formalidade do emprego da população é de 53%, segundo o Ipea.

Em matéria de colocação profissional, a pesquisa aponta que o destino dos titulados pelos cursos de pós-graduação não é mais apenas a vida universitária. Entre 2009 e 2014, o número de mestres e doutores empregados na iniciativa privada aumentou em 9,8% e 11,7%, respectivamente. Esse indicativo ajuda a avaliar os índices de inovação que estão chegando ao setor produtivo, elevando com isso a produtividade da economia brasileira.

Apesar de expressivos, em termos comparativos esses números mostram que o Brasil continua distante dos países desenvolvidos. Em 2013, a média brasileira foi de 7,6 doutores formados por 100 mil habitantes – ante 20,6, nos Estados Unidos; 34,4, na Alemanha; e 41, no Reino Unido. Entre os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), só o México e o Chile têm um desempenho inferior ao Brasil.

Essencial para a formulação das políticas públicas de formação de recursos humanos com alta qualificação, esse estudo mostra os avanços obtidos no período por ele coberto. A dúvida é saber se a crise econômica e os cortes promovidos pelo ajuste fiscal afetarão ou não o ritmo de crescimento da pós-graduação – e isso somente poderá ser medido pelo próximo levantamento.

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