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O ossário petista

Há coisas que o PT gostaria que o País esquecesse. Mas os escândalos do partido, os presentes e os pretéritos, são tão resistentes que, tal como mortos-vivos, zanzam pelos becos da história e, quando parecem sepultados, retornam para assombrar os petistas - e indignar ainda mais os eleitores que acreditaram em sua farsesca defesa da ética e da moralidade pública.

31 Janeiro 2016 | 02h55

Enquanto o Brasil ainda prende a respiração na expectativa dos desdobramentos do petrolão, escândalo cujo desfecho a cada dia parece mais distante diante da contínua descoberta de novos crimes e criminosos, eis que outro caso, este investigado desde 2007, ressurge para se revelar não como o caso isolado que parecia ser, e sim como dente da grande engrenagem delinquente do PT. Trata-se do desfalque na Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop).

Pode-se dizer que o caso Bancoop foi uma espécie de laboratório do PT para testar maneiras de subtrair do alheio vultosos recursos para financiar seu projeto de poder eterno - e, de quebra, enriquecer alguns de seus operadores. Conforme a investigação do Ministério Público, o partido nem havia chegado à Presidência, em 2003, e já organizava o esquema de desvio na cooperativa dos bancários.

A Bancoop foi fundada em 1996 pelo ex-sindicalista e hoje ministro da Secretaria de Governo Ricardo Berzoini e chegou a ter 15 mil cooperados, que tinham a expectativa de residir nos imóveis construídos pela entidade. De acordo com o Ministério Público, os incautos mutuários desse fundo foram lesados em cerca de R$ 100 milhões. Muitos dos prometidos prédios jamais saíram do chão. Em vez de ser usado para honrar o combinado em contrato com os mutuários, o dinheiro da Bancoop, segundo a denúncia, foi parar nos cofres do PT graças a uma engenharia malandra liderada por João Vaccari Neto, que presidiu a cooperativa entre 2004 e 2010, quando se tornou tesoureiro do partido.

Mas essa é uma história antiga - um processo contra Vaccari, denunciado junto com outros dirigentes da Bancoop por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, corre desde outubro de 2010. Eis que, no entanto, Vaccari acabou sendo preso no âmbito da Operação Lava Jato, acusado de participar do esquema de lavagem de dinheiro para abastecer o PT. Naquele momento, em meados do ano passado, os mutuários da Bancoop que se dizem lesados por Vaccari, cerca de 8 mil, recobraram a esperança de que afinal se fizesse justiça.

Essa expectativa, no entanto, deu lugar a uma justa indignação quando se divulgou que um privilegiado cooperado da Bancoop, o ex-presidente Luiz Inácio da Silva, que nunca foi bancário, não só recebeu seu apartamento, como o luxuoso imóvel fora inteiramente reformado pela empreiteira OAS - empresa investigada na Lava Jato e que assumiu alguns empreendimentos da cooperativa depois que esta se tornou insolvente.

Quando Lula foi apontado como o feliz proprietário de um tríplex no Guarujá, enquanto milhares de anônimos que tiveram seu dinheiro tungado pela quadrilha da Bancoop lutam na Justiça para ter alguma compensação, o personagem conhecido pela alcunha de Brahma caprichou na indignação e negou ter vínculo com o imóvel - versão contestada por diversas testemunhas.

O caso do tríplex recolocou o esquecido escândalo da Bancoop no noticiário. Mais do que isso: deixou claro que, no caso do PT, não é mais possível falar em “escândalos”, no plural, e sim em um único e portentoso modelo de negócios. Mensalão, petrolão, Bancoop e o que mais venha têm claras conexões uns com os outros e se destinam, todos eles, a irrigar o PT com recursos ilícitos - e, eventualmente, permitir que a tigrada desfrute de algum fausto.

Não se sabe quais outros fantasmas ainda aparecerão para assombrar os petistas. Numa história partidária que inclui até mesmo um assassinato em circunstâncias mal explicadas - o de Celso Daniel, o prefeito petista que sabia demais -, a noite é longa.

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