O otimismo da indústria

O otimismo da indústria

Pelo menos no que se refere à utilização da capacidade instalada, a indústria brasileira ainda não superou inteiramente os efeitos da crise econômica mundial. Ela continua inferior à média observada normalmente nesta época do ano, de acordo com a mais recente sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) junto ao empresariado do setor, realizada nas três primeiras semanas de março. Mas vão surgindo novos sinais do crescente otimismo da indústria com relação ao futuro próximo. Um deles refere-se às exportações. "O comércio mundial já está voltando a se abrir para as empresas", diz o gerente executivo de pesquisas da CNI, Renato da Fonseca, para explicar a melhora das expectativas dos industriais com relação ao mercado externo.

, O Estado de S.Paulo

30 Março 2010 | 00h00

Quanto ao mercado interno, as expectativas da indústria não se modificaram. Mas isso não é um mau sinal, pois elas já eram francamente otimistas. Há algum tempo a pesquisa da CNI, realizada mensalmente a partir deste ano, registra grande otimismo da indústria com relação à demanda interna. Trata-se de um sentimento generalizado. Em todos os setores industriais, a expressiva maioria dos entrevistados acredita no aumento das vendas internas.

Por isso, os planos de investimentos, muitos dos quais parcial ou totalmente suspensos no ano passado, estão sendo retomados. Estudo do BNDES estima que, nos próximos quatro anos, os investimentos na indústria brasileira chegarão a R$ 500 bilhões, um valor 60% maior do que os R$ 311 bilhões investidos entre 2005 e 2008 (o banco não incluiu 2009, pois ainda não dispõe de dados consolidados do ano passado).

O estudo aponta forte concentração dos investimentos na exploração de petróleo e gás, não tanto no pré-sal, mas sobretudo na cadeia econômica ligada ao óleo, como a indústria naval e a de fabricação de plataformas. Trata-se de um investimento que estimula outros setores da economia.

Mas o BNDES prevê também fortes investimentos em setores voltados para atender à demanda interna, entre os quais o automobilístico. Os planos já anunciados pelas montadoras justificam a previsão do banco estatal. Há dias, por exemplo, a PSA Peugeot Citroën ? uma das montadoras que se instalaram no País depois de 1998 ? anunciou que investirá R$ 1,4 bilhão no Brasil até o fim de 2011. Desse modo, a empresa tentará recuperar a fatia que perdeu no mercado doméstico no ano passado, quando reduziu sua produção e seu quadro de empregados num momento em que, em razão dos fortes estímulos do governo, as vendas estavam aquecidas.

Das quatro grandes montadoras instaladas há mais tempo no País, e que detêm quase 80% do mercado interno, três já anunciaram seus planos de investimentos, que somam R$ 13 bilhões nos próximos anos. Das que estão há menos tempo no País, várias também anunciaram seus planos, que somam investimentos de R$ 3,3 bilhões. Todas falam em ampliar sua participação no mercado doméstico, que, de acordo com as projeções mais recentes, deve absorver 4 milhões de veículos em 2014.

A indústria siderúrgica, grande fornecedora das montadoras, faz projeções otimistas. No ano passado, as vendas internas das siderúrgicas nacionais encolheram 25%. Neste ano, o setor espera aumentar suas vendas internas em 34%, sustentadas principalmente pela construção civil, pela indústria de bens de capital e, claro, pelas montadoras.

A construção está sendo impulsionada pela forte expansão dos financiamentos habitacionais e pelos investimentos em infraestrutura. A indústria de bens de capital deve crescer 18% em relação a 2009, por causa do aumento da utilização da capacidade instalada ao longo do ano e do aumento da confiança dos empresários.

Também na siderurgia há otimismo com relação ao mercado externo. O setor espera aumentar as exportações de derivados de aço em 14% neste ano, por causa da recuperação da demanda mundial e da entrada em operação, no segundo semestre, de uma unidade instalada no Rio de Janeiro e voltada para o mercado externo.

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