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Opinião

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O sofrido transporte coletivo

Não são apenas as deficiências dos vários meios de transporte coletivo – a lentidão e o desconforto, no caso dos ônibus, e a superlotação, no do metrô – que afligem os paulistanos. A elas vêm se juntar as dificuldades crescentes que os usuários enfrentam para recarregar o bilhete único, um problema que, principalmente desde meados do ano passado, vem atormentando um grande número de paulistanos. O tempo que perdem para contornar essa dificuldade, quando conseguem fazê-lo, torna ainda mais demorados os seus deslocamentos.

04 Fevereiro 2016 | 02h55

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo mostra que na terça-feira passada, mais uma vez, muitos passageiros que tentaram recarregar seus bilhetes em várias estações do metrô se viram às voltas com guichês fechados e máquinas de autoatendimento desligadas. Nas Estações Santana, da Linha-1 Azul, Santa Cecília e Palmeiras-Barra Funda, essas duas da Linha-3 Vermelha, por exemplo, os guichês da empresa Rede Ponto Certo, que executa esse serviço por contrato, estavam fechados e as máquinas da empresa Prodata Mobility não funcionavam. Para complicar ainda mais as coisas, o funcionamento do aplicativo de recargas da Ponto Certo, que é uma alternativa mais prática, também tem recebido críticas.

Quando acontece isso, o prejuízo dos usuários não se limita ao transtorno de perder tempo à procura de guichês abertos ou máquinas que funcionam, ou, quando isso não é possível, enfrentar longas filas para comprar o bilhete comum para substituir o único que se tornou temporariamente inoperante, pela impossibilidade de ser recarregado. Se para chegar a seu destino ele tiver de usar mais de uma vez ônibus ou metrô – o que com o bilhete único é gratuito dentro de determinado período –, terá de comprar outro bilhete, o que significa prejuízo. Ou seja, perderá duas vezes – tempo e dinheiro.

E corre o risco de perder mais uma vez, mesmo quando as máquinas funcionam, porque são frequentes as queixas de que elas “engolem” o dinheiro e não fazem o recarregamento. Esse pode não ser um dinheiro perdido, mas recuperá-lo custa outra dor de cabeça.

O problema não é de hoje. Para ficar apenas nos episódios mais recentes, o primeiro deles foi em meados de agosto do ano passado, quando – como mostrou reportagem do Estado – chegou ao fim o contrato pelo qual a Ponto Certo mantinha cabines onde eram feitas operações de recarga de bilhete único em 24 estações do metrô. Em consequência disso, durante mais de um mês, os usuários penaram para recarregar seus bilhetes.

Na primeira quinzena de dezembro passado, voltaram a ocorrer problemas com a recarga dos bilhetes em outras 19 estações, por causa do mau funcionamento de máquinas da Ponto Certo.

Alega essa empresa que a causa dos problemas é o reajuste médio de sua remuneração, de 9,5% entre 2011 e 2015, que a seu ver é insuficiente. Seja sua reclamação procedente ou não, é inaceitável que a Companhia do Metrô tenha deixado que a situação chegasse a esse ponto. No ano passado, foi aberta licitação para a escolha de novas empresas para executar esse serviço. A Prodata Mobility e a Perto, segundo o Metrô, estão assumindo gradativamente o trabalho de recarga nas estações antes atendidas pela Ponto Certo.

É lastimável que os responsáveis pelo bilhete único não tenham feito isso antes, quando surgiram os primeiros sinais de que o serviço apresentava sérias deficiências. Até porque as consequências disso saltam aos olhos: milhares de usuários de metrô e de ônibus desesperados à procura de guichês abertos e de máquinas que funcionam para recarregar seus bilhetes.

Mesmo quando funciona normalmente, o serviço de transporte coletivo da capital já é ruim, submetendo seus usuários a longas e penosas viagens de duas, três horas. Acrescentar a esse sofrimento diário mais contratempos, aborrecimentos e prejuízos, como os acarretados pelas dificuldades com a recarga do bilhete único, é algo revoltante.

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