Para FMI, setor público brasileiro gasta mais que o de outros países

Os gastos públicos do País têm ordem de grandeza semelhante à de países como Alemanha (44,6%), Holanda (43,6%) e Portugal (43,6%), com redes de proteção social amplas, alta qualidade de vida e estruturas de segurança, justiça e educação avançadas

O Estado de S. Paulo

15 Novembro 2016 | 04h13

Em 2016, os gastos públicos da União, de Estados, municípios e empresas estatais não financeiros deverão atingir 43% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a publicação Fiscal Monitor, elaborada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O Brasil está entre os países emergentes onde é mais elevada a proporção entre os gastos públicos e o PIB, abaixo apenas do Azerbaijão, da Croácia e da Hungria ou dos exportadores de petróleo Kuwait e Omã, além da Líbia – com instituições em ruínas e produzindo pouco. Em média, os gastos públicos dos países emergentes são de 31,4% do PIB.

Os gastos públicos do País têm ordem de grandeza semelhante à de países como Alemanha (44,6%), Holanda (43,6%) e Portugal (43,6%), com redes de proteção social amplas, alta qualidade de vida e estruturas de segurança, justiça e educação avançadas. Mas, na média, eles superam até os 36,4% do PIB das economias avançadas, influenciados por Estados Unidos (31,4%), Japão (33,7%) e Grã-Bretanha (36,3%).

Os indicadores do FMI dão uma ideia do peso do Estado brasileiro na economia. Para sustentar dispêndios elevados, a dívida das três esferas de governo é crescente, saindo de 63,7% do PIB em 2007 para 78,3% neste ano e estimados 93,6% em 2021. O FMI ressalva que pelas contas do governo a dívida bruta do País é menor. Mas, ainda assim, é maior do que o endividamento médio dos emergentes, de 47,3% do PIB.

Por critérios semelhantes de comparação, o Brasil só deve menos que a Croácia, o Egito, o Sri Lanka e a Ucrânia – enfraquecida pela pressão econômica e militar da Rússia.

O endividamento global do setor não financeiro é estimado pelo FMI em US$ 150 trilhões, ou 225% do PIB mundial. Cerca de US$ 100 trilhões são dívidas do setor privado e US$ 50 trilhões são dívidas do setor público. Os responsáveis pelo Monitor alertam para a heterogeneidade das dívidas e o grau de risco do endividamento excessivo. E a tendência é de aumento das dívidas.

O diagnóstico do governo brasileiro e do FMI é o mesmo: é preciso combater o desequilíbrio fiscal. É o que justifica a PEC do Teto e a reforma previdenciária. Mas cabe ao governo dar o exemplo de temperança.

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