Pequena alta na demanda de crédito das pessoas físicas

Entre setembro e outubro, um aumento de 4,1% das concessões de empréstimo às pessoas físicas, um dos raros indicadores que mostram algum vigor no mercado de crédito

O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2016 | 04h00

Os dados sobre o crédito continuam ruins, com queda dos saldos de empréstimo e novas altas do juro. Mas houve, entre setembro e outubro, um aumento de 4,1% das concessões de empréstimo às pessoas físicas, segundo o Banco Central. E esse é um dos raros indicadores que mostram algum vigor no mercado de crédito.

Cresceram em R$ 6,4 bilhões, de R$ 139,9 bilhões em setembro para R$ 146,3 bilhões em outubro, as liberações de crédito livre para as famílias. São recursos caros – custam em média 61,7% ao ano (um ponto porcentual mais do que no mês anterior). Os tomadores parecem dispostos a pagar juros maiores em termos nominais e reais, porque a inflação está em queda. E é provável que os números sejam influenciados pela crescente renegociação de dívidas.

O saldo total dos empréstimos, de R$ 3,095 trilhões, caiu 0,5% entre setembro e outubro e 2% em relação a outubro de 2015. Como proporção do PIB, a queda foi de 3,5 pontos porcentuais em 12 meses, de 53,8% para 50,3%. Isso indica tanto a intensidade da recessão quanto o enxugamento do crédito, depois de um período de crescimento excessivo. O endividamento das famílias caiu 3,3 pontos porcentuais em relação a outubro de 2015, mas ainda é alto (42,8% da renda dos últimos 12 meses). E, como a renda real diminuiu, não caiu o comprometimento médio da renda mensal com o pagamento das dívidas, de 22,2%.

Tão ou mais grave que a situação das famílias é a das empresas. Entre setembro e outubro, as concessões de crédito para pessoas jurídicas caíram 8,8%, para R$ 111,9 bilhões – e a queda foi de 12,8% em relação a outubro de 2015. Os prazos das concessões de empréstimos com recursos livres são estreitos, os juros aumentaram de 29,8% ao ano para 30,4% ao ano e a inadimplência subiu, chegando a 5,6% (+0,1 ponto no mês e +1,3 ponto em 12 meses). É um sinal muito ruim para a economia.

O crédito direcionado, que representa metade do crédito total, mostra quedas ainda maiores. As concessões de empréstimos para empresas caíram 25,7% em 12 meses e 18,6% para pessoas físicas.

Com a alta do spread bancário (diferença entre o custo de captação e o de aplicação) em outubro, os bancos mostram pouca disposição de emprestar.

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