Pesquisas mostram apuro de empresas e famílias

A combinação de demanda fraca e escassez de crédito em reais ou em dólares fez mais que dobrar o número de empresas que entraram com pedido de recuperação judicial no primeiro bimestre, em comparação com igual período do ano passado, segundo o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações. Ao mesmo tempo, aumentou em 19,3% o volume de títulos protestados de pessoas jurídicas e físicas, segundo a Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito).

O Estado de S. Paulo

11 Março 2016 | 03h00

Entre 2012 e 2014, pouco mais de 60 pedidos de recuperação judicial eram requeridos mensalmente pelas empresas, número que duplicou a partir do semestre passado e continua crescendo. Entre janeiro e fevereiro de 2015 e de 2016 esse número passou de 116 para 251. O aumento, de 116,4%, é o maior desde igual período de 2006, em seguida à entrada em vigor da Nova Lei de Falências, de junho de 2005. No mês passado, o número de pedidos de recuperação judicial foi de 155, superando em 61,5% o de janeiro (96) e em 269% o de fevereiro de 2015 (42).

Aumentou, em especial, o peso das grandes empresas entre as que requereram recuperação, o que significa que a recessão chega mais perto de companhias em tese mais capitalizadas e preparadas para enfrentar situações difíceis.

Além disso, 53 empresas de grande porte pediram falência no primeiro bimestre, 17,7% mais do que em igual período de 2015. O porcentual superou o do conjunto de empresas que pediram falência (+15,3%, de 202 para 233 pedidos).

Os pedidos de recuperação judicial ou de falência refletem problemas estruturais. Os problemas conjunturais ficam mais evidentes nos volumes de títulos protestados.

Entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2016, segundo a Boa Vista SCPC, cresceu 20,5% o número de títulos protestados emitidos por famílias e em 15,9% o de papéis emitidos por empresas. No caso das famílias, o valor médio dos protestos foi de R$ 2.511,00 e no das empresas, de R$ 5.958,00. As empresas responderam por 58,3% do total dos protestos. A inadimplência já começa a crescer no setor bancário.

Por regiões, o Sudeste concentrou 50,2% dos protestos, cabendo 23,6% ao Sul, 11,5% ao Nordeste, 10% ao Centro-Oeste e 4,7% ao Norte. Os maiores problemas, segundo as pesquisas, estão nas regiões mais desenvolvidas e nas empresas. É um mau sinal para o emprego, pois empresas em dificuldades tendem a cortar postos de trabalho.

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