Petrobrás reduz drasticamente o custo de captação

A credibilidade da estatal está em recuperação graças a um conjunto de providências internas, tais como o corte de custos e a desmobilização de ativos, o que tem permitido investir prioritariamente em exploração e produção de petróleo bruto

O Estado de S.Paulo

18 Maio 2017 | 03h08

Na segunda-feira passada, quando o risco Brasil medido pelo CDS (credit default swaps, ou custo do seguro contra calote) caiu abaixo dos 200 pontos, a Petrobrás captou US$ 4 bilhões em bônus internacionais com juros substancialmente mais baixos do que havia se comprometido a pagar no início deste ano. A decisão de reabrir emissões é parte da estratégia da estatal, que, simultaneamente, se beneficia do aumento da confiança no País e da recuperação da credibilidade da administração da empresa, dirigida desde o ano passado pelo ex-ministro Pedro Parente.

A Petrobrás poderia ter captado não US$ 4 bilhões, mas US$ 20 bilhões, pois esse foi o montante em títulos da empresa que os investidores internacionais declararam estar dispostos a adquirir.

A companhia recupera o prestígio internacional de que dispunha antes do escândalo do petrolão, quando seus papéis figuravam entre os mais disputados do mercado global.

A credibilidade da estatal está em recuperação graças a um conjunto de providências internas, tais como o corte de custos e a desmobilização de ativos, o que tem permitido investir prioritariamente em exploração e produção de petróleo bruto.

Em 2017, a demanda brasileira de derivados subiu 45 mil barris/dia (b/d) comparativamente a 2016, mas a oferta (resultado da produção) deverá crescer bem mais (125 mil b/d), segundo o relatório de maio do mercado de petróleo da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). Os leilões programados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) podem abrir novas perspectivas para a empresa.

Nos bônus com vencimento em 2022, o custo de captação caiu de 6,13% ao ano, em janeiro, para 4,88%, em maio; de 7,38% para 6% ao ano na emissão de 2027; e de 7,25% para 7% ao ano na emissão vencível em 2044. Os recursos serão usados na compra de papéis vencíveis em 2018 e que rendem mais aos investidores. Assim será possível cortar o custo da dívida da empresa, que ainda é elevada.

Os resultados da colocação foram enfatizados por analistas do mercado financeiro. Aos olhos dos investidores, disse um deles, a empresa se recupera em velocidade superior à de outras companhias locais. Mas inclusive para estas a operação favorece o acesso ao mercado, pois continua sendo atraente a rentabilidade oferecida pelas empresas do País.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.