Queda de encomendas para o Natal afeta a indústria

Ressentindo-se de vendas abaixo da expectativa em outras datas comemorativas, o comércio varejista não espera um bom movimento neste Natal e, como resultado, vem limitando suas encomendas à indústria, principalmente de bens de maior valor

O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2016 | 03h02

Ressentindo-se de vendas abaixo da expectativa em outras datas comemorativas, o comércio varejista não espera um bom movimento neste Natal e, como resultado, vem limitando suas encomendas à indústria, principalmente de bens de maior valor. A cautela dos varejistas tem forte impacto na indústria de bens duráveis de consumo, particularmente aqueles provenientes da Zona Franca de Manaus, que se concentra na produção de aparelhos de áudio e vídeo. “A demanda de produtos para o Natal não aconteceu. É a primeira vez em 25 anos que presencio isso”, disse o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas, Wilson Périco.

As encomendas das redes de varejo à indústria instalada na Zona Franca têm sido feitas a conta-gotas. Muitos consumidores não encontram certos modelos de eletroeletrônicos, pois não há muita variedade, embora as lojas estejam carregadas de estoques de outros itens. Nesses casos, as lojas pedem um prazo mais longo que o normal para a entrega do produto ao consumidor.

Isso faz supor que as redes varejistas estão trabalhando com estoques relativamente baixos de bens de consumo mais caros, condicionando as encomendas à demanda. Assim, a não ser que os consumidores façam compras com antecipação, no Natal podem faltar alguns produtos. As redes varejistas admitem que estão fazendo encomendas de acordo com as necessidades imediatas e poucas delas fizeram uma programação para as festas de fim de ano, com base no movimento sazonal de 2015.

Além de não contratar temporários, o segmento de eletroeletrônicos da Zona Franca, que encerrou 2015 com 41,2 mil empregados, estava em agosto com 31,4 mil. Segundo apurou a reportagem do Estado, empresas locais reduziram turnos de trabalho. A exceção é a produção de telefones celulares, que teve um aumento de 6% de janeiro a agosto deste ano em relação ao mesmo período de 2015.

Os varejistas esperam que na Black Friday, a realizar-se na última sexta-feira deste mês, possam descarregar estoques de produtos cujas vendas encalharam. As encomendas poderão ser maiores a partir desta data, mas não se prevê que isso estimule uma recuperação mais firme da indústria.

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