Reação mais lenta no setor de serviços

Queda de 3,2% em relação a setembro de 2016 evidenciou a lentidão do processo de retomada da economia e dos serviços

O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2017 | 03h14

A receita real de serviços recuou 0,3% entre agosto e setembro, na série com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é pior do que o esperado pelos analistas. A queda de 3,2% em relação a setembro de 2016 evidenciou a lentidão do processo de retomada da economia e dos serviços. Nos últimos 12 meses, até setembro, em relação aos 12 meses anteriores, o volume de serviços declinou 4,3%, enquanto a receita nominal cresceu 0,9% no período, abaixo da inflação de 2,54% medida pelo IPCA. 

Na comparação anual, o indicador menos ruim foi o da alta nominal da receita de serviços de 2,3% entre setembro de 2016 e setembro de 2017.

Na comparação mensal, o destaque positivo veio do crescimento de 5,9% entre agosto e setembro dos serviços prestados às famílias, em especial, por causa de alojamento e alimentação. Reverteram-se, assim, os fracos indicadores de agosto.

Também houve alta do volume de serviços de transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio, bem como de atividades turísticas, que reagiram após cinco meses de recuo. Mas os demais resultados foram negativos, com ênfase nos transportes aéreo e aquaviário, nos serviços de informação e comunicação e nos serviços administrativos e complementares.

Vistos como um todo, os serviços têm grande dependência da evolução da indústria e do comércio - no qual a retomada é mais visível. O que poderia explicar com maior precisão a demora na recuperação dos serviços é o mercado de trabalho. A evolução desse mercado é favorável, mas não o bastante para estimular as famílias e as empresas a contratar serviços não essenciais. Salões de beleza e restaurantes, por exemplo, têm registrado movimento inferior ao esperado para esta época do ano.

Ainda assim, os indicadores do emprego formal em outubro, divulgados há alguns dias pelo Ministério do Trabalho, poderão dar suporte a alguma retomada mais clara, mas não generalizada, neste trimestre.

O comportamento dos serviços não é uniforme. Há variações positivas no Paraná, Pernambuco, Santa Catarina, Goiás, Espírito Santo e Minas Gerais, mas indicadores negativos predominam no Rio de Janeiro, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. Parece necessária a melhora em São Paulo para devolver otimismo ao setor.

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Editorial Econômico Serviços

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