Reconhecimento externo do ajuste da Petrobrás

A Petrobrás comprometeu-se a vender US$ 21 bilhões em ativos, mas, como primeiro resultado concreto da reavaliação de riscos, já não precisará “vender tantos ativos para atingir a meta de alavancagem”

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27 Outubro 2017 | 03h17

A nota de crédito atribuída à Petrobrás pela agência de classificação de risco Moody’s foi elevada de B1 para Ba3, sinal de reconhecimento do trabalho “sólido” de reorganização da estatal, que conseguiu reduzir a influência política sobre a administração, melhorou seu crédito e sua liquidez e já exibe um perfil mais favorável de endividamento. A categoria Ba3 significa que a empresa não deixou de ser classificada como grau especulativo, mas avançou muito nas políticas de ajuste das contas, severamente maltratadas nas gestões petistas.

A Petrobrás comprometeu-se a vender US$ 21 bilhões em ativos, mas, como primeiro resultado concreto da reavaliação de riscos, já não precisará “vender tantos ativos para atingir a meta de alavancagem”, segundo analistas da Moody’s. A dívida continua sendo muito alta, de US$ 114 bilhões no segundo trimestre, mas seu montante foi reduzido de US$ 10 bilhões, o que retira pressão sobre a empresa, conferindo à administração maior liberdade para adotar política de investimento e desinvestimento.

Além da mudança da administração, alguns fatos contribuíram para a melhora das contas, como o aumento das cotações internacionais do petróleo bruto para uma faixa igual ou superior a US$ 50 o barril, o acordo com investidores individuais que processaram a estatal no exterior, os bons resultados operacionais recentes e o acesso amplo ao mercado global. Só neste ano a empresa emitiu US$ 19,2 bilhões em títulos, empregando os recursos no refinanciamento da dívida em condições mais favoráveis.

A revisão da nota da Petrobrás ocorreu um dia depois de a BR Distribuidora, sua principal subsidiária, entrar com pedido de abertura de capital na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – e, segundo a Coluna do Broadcast, publicada pelo Estado, há tempo de fazer a oferta inicial de ações (IPO) ainda neste ano.

Tanto a melhora da classificação como o início do processo de abertura do capital da BR Distribuidora são sinais favoráveis, não só para a administração da Petrobrás, como para o governo federal. Na melhor das hipóteses, haverá um ambiente mais favorável à venda de ações ou mesmo à privatização de estatais. A governança corporativa que se tornou fator decisivo para a recuperação da Petrobrás poderá ser estendida a outras estatais, em benefício do Tesouro.

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