Recupera-se o mercado de autos

Depois da queda abrupta do biênio 2008/2009, a indústria automobilística voltou a crescer no ano passado, em todo o mundo. Até as montadoras norte-americanas que haviam sido mais atingidas pela recessão recuperaram-se e voltaram a disputar o mercado com as asiáticas - afastando os prognósticos mais pessimistas quanto à capacidade de reação de Detroit, símbolo dos anos de ouro dos automóveis, nos Estados Unidos.

, O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2011 | 00h00

Do recorde histórico de 73,1 milhões de unidades, em 2007, a produção global de veículos diminuiu para 70,5 milhões, em 2008, e para apenas 60,9 milhões, em 2009 - 16,6% abaixo do pico. Entre 2007 e 2009, a produção de autoveículos da China superou a do Japão e a dos Estados Unidos. A China produziu, no ano atrasado, mais que o dobro dos veículos fabricados nos Estados Unidos.

A China acaba de anunciar que, em 2010, as vendas de veículos atingiram 18,06 milhões, 32% mais do que em 2009. Para 2011, mesmo com a retirada dos incentivos do governo, o crescimento do mercado chinês é estimado em 10% a 15%.

De 2000 a 2007, os Estados Unidos licenciaram mais de 17 milhões de veículos por ano, número que recuou para 13,5 milhões, em 2008, e para 10,6 milhões, em 2009. Em 2010, segundo reportagem de Cleide Silva, no Estado (B10, 10/1), 11,6 milhões de veículos, produzidos pela indústria local ou importados, foram vendidos nos Estados Unidos. Foi a primeira reação dos últimos cinco anos.

No auge da crise, em 2008, a General Motors (GM), então maior empresa automobilística do mundo, perdeu US$ 30 bilhões. Foi depois ajudada com US$ 13,4 bilhões pelo governo dos Estados Unidos, mas pediu concordata há um ano e meio. Por isso fechou seu braço financeiro GMAC, dezenas de fábricas e milhares de revendedoras. O governo se tornou o maior acionista da GM. Também ajudada pelo governo, a Chrysler já teve 25% de suas ações adquiridas pela Fiat e poderá transferir o controle para a montadora italiana ainda neste ano. Só a Ford escapou dos empréstimos oficiais, mas vendeu marcas consagradas (Land Rover, Volvo, Jaguar, Aston Martin), além de encerrar a produção de uma de suas linhas mais tradicionais, a divisão Mercury, cujo último veículo, produzido no Canadá, foi vendido em dezembro.

Em apenas um ano e meio após a concordata, a GM começou a pagar os empréstimos do governo. Em novembro, captou US$ 20,1 bilhões de investidores, colocando ações novas a preços mais altos do que o previsto.

A recuperação das grandes montadoras norte-americanas ocorreu apesar da redução da capacidade de compra dos consumidores dos países industrializados - que ainda representam mais da metade da demanda global por autoveículos.

Em 2009, o comportamento dos mercados de veículos dos Estados Unidos, Japão, Canadá, Espanha, Holanda, Suécia, Grécia e Portugal foi o pior em dez anos (2000/2009). Graças a incentivos, as vendas cresceram na Alemanha e na França, mas em ritmo muito menor do que nos principais emergentes - China, Índia, Brasil e Coreia do Sul.

Com o licenciamento de 3,5 milhões de veículos, o Brasil provavelmente ultrapassou a Alemanha como quarto maior mercado do mundo. Mas, para que as montadoras norte-americanas e europeias instaladas no Brasil continuem crescendo, elas terão de enfrentar a política de preços das montadoras coreanas e chinesas. A coreana Hyundai e a chinesa Chery estão investindo em fábricas no Estado de São Paulo. "O mundo mudou e as empresas precisam ser mais responsáveis em relação a custos e economia de combustível", afirmou o presidente da General Motors América do Sul, Jaime Ardila.

Segundo ele, entre as barreiras para o crescimento, em 2011 estão a alta dos preços do petróleo, a fragilidade da economia europeia e uma possível perda de ritmo da economia chinesa. Mesmo assim, será preciso investir pesadamente e oferecer novos modelos, convivendo com margens de lucro que têm estreitado.

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