Recuperação das montadoras é lenta, mas firme

Graças ao aumento das vendas internas e à manutenção de expressiva receita com exportações, a indústria automobilística está saindo de sua fase mais depressiva

O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2018 | 03h12

Graças ao aumento das vendas internas e à manutenção de expressiva receita com exportações, a indústria automobilística está saindo de sua fase mais depressiva, como afirmou o presidente da associação das montadoras (Anfavea), Antonio Megale, ao comentar os dados de janeiro. De fato, comparados com os de um ano antes, os números sobre produção, vendas internas e exportações de veículos e máquinas agrícolas mostram que o setor vem recuperando as perdas que teve durante a crise que marcou o período final do governo da presidente cassada Dilma Rousseff. Dada a extensão da crise deixada pelas administrações petistas, a recuperação é difícil e lenta, como tem sido para outros segmentos da economia.

O número de veículos que saíram das fábricas em janeiro, de 216,8 mil unidades, é 24,6% maior do que o de um ano antes e as exportações de 47 mil unidades representam novo recorde para o primeiro mês do ano.

O presidente da Anfavea diz que ainda não dá para comemorar, porque o crescimento da produção, embora expressivo, se deve à base de comparação baixa. Em janeiro do ano passado, foram produzidas 174,1 mil unidades, 40,4% menos do que o total que saiu das montadoras em janeiro de 2013 (292,2 mil unidades), por exemplo.

O ano de 2013 foi o melhor da história da indústria automobilística no Brasil. Naquele ano, saíram das linhas de montagem 3,713 milhões de veículos. Esse número caiu para 3,146 milhões em 2014 e 2,419 milhões no ano seguinte. Em 2017, a produção voltou a crescer, totalizando 2,699 milhões. Se a produção crescer 15% neste ano, como está sendo previsto, o total será superior a 3 milhões de unidades.

Não parece uma previsão exagerada, caso persistam as condições favoráveis observadas no momento e fatores políticos não perturbem de maneira notável a recuperação da economia. A recuperação do emprego, inclusive no setor automobilístico, o aumento da renda real média das pessoas empregadas, a manutenção da política monetária – com juros mais baixos para o financiamento de bens de maior valor – e o crescimento de outros setores impulsionarão as vendas internas. A recuperação da Argentina, principal mercado para o veículo brasileiro, estimulará as exportações. O quadro pode piorar se o País não estiver preparado para eventuais mudanças no cenário internacional.

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