Reforços para a produção

Mesmo com ampla capacidade ociosa nas indústrias, dirigentes de empresas reequipam as unidades produtivas

O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2018 | 03h02

Novos sinais de reativação da economia – e de expectativas favoráveis dos empresários – aparecem no Índice de Preços ao Produtor (IPP). Os preços de máquinas e equipamentos, ou bens de capital, ficaram 0,80% mais caros na porta de fábrica em dezembro e 4,26% no ano. Mesmo com ampla capacidade ociosa nas indústrias, dirigentes de empresas tratam de reequipar as unidades produtivas. Outro forte sinal de movimentação dos negócios e de aposta em maior atividade neste e nos próximos anos é a alta de preços dos bens intermediários: 0,74% em dezembro e 6,53% em 2017. Seria estranha a procura de insumos semielaborados apenas para acumulação de estoques. Os dados de consumo e de exportação de manufaturados confirmam a produção mais intensa, especialmente no segundo semestre do ano passado. As informações são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Preços em alta são habitualmente recebidos, no Brasil, como sintomas de pressões inflacionárias e, portanto, como sinais de alerta. Nesse caso, os indicadores considerados contêm boas notícias. Em 2017, o IPP subiu 4,18%, puxado pelos aumentos de preços dos bens de capital e dos intermediários. Os bens de consumo industrializados encareceram apenas 0,51% nesse período. Esse quadro contém uma combinação de fatos positivos. Enquanto os preços ao consumidor avançaram moderadamente, permitindo às famílias a ampliação e a diversificação das compras, a demanda em alta favoreceu a valorização e a maior oferta de bens destinados à produção.

Por enquanto, o IBGE divulgou os dados da produção industrial somente até o mês de novembro, mas os números publicados combinam com os detalhes do IPP do ano todo. De janeiro a novembro, a fabricação de bens de capital superou por 5,8% o volume contabilizado no mesmo período de 2016. No caso dos intermediários o ganho indicado pela mesma comparação foi de 1,4%. Quando se confrontam os dados de novembro com os de igual mês do ano anterior, as diferenças chegam a 8,1% para máquinas e equipamentos e a 4,2% para os insumos semiprocessados. Os dois números mostram o distanciamento crescente da atividade, no ano passado, em relação à base de um ano antes, na fase final da longa e profunda recessão.

O mesmo cenário de reativação é indicado, em linhas básicas, pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Nos 12 meses terminados em janeiro, esse indicador diminuiu 2,34%, puxado para baixo pelas cotações dos produtos agropecuários (queda de 11,06% no período). As matérias-primas brutas ficaram 11,20% mais baratas, enquanto os bens intermediários encareceram 4,36%. Excluídos combustíveis e lubrificantes para a produção, os preços desses bens aumentaram 3,56%.

O IPA é um dos três grandes componentes do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M). Os outros dois são os indicadores de preços ao consumidor (IPC) e da construção civil. Nos 12 meses até janeiro, o IPC aumentou 3,06%, em boa parte freado pelo custo da alimentação, com queda de 0,08%.

O moderado aumento dos preços ao consumidor, no ano passado, foi um dos fatores de reativação da economia. O retorno das famílias às compras, inicialmente com muita cautela, estimulou a reação industrial. A evolução dos investimentos foi marcada por desempenhos diferentes da construção, ainda estagnada, e das compras de bens de capital, em reação lenta, mas sensível. A procura de bens intermediários completou o quadro.

Enquanto denota uma normalização do mercado, com a oferta de bens de produção reagindo à demanda final, a alta de preços de máquinas, equipamentos e produtos intermediários é um sinal vital muito positivo. Outros indicadores também refletem e ainda refletirão mais intensamente a melhora do quadro. Exemplo: as importações devem crescer neste ano e o superávit comercial, embora alto, tende a ser menor que o de 2017. Tudo isso dependerá, é claro, da evolução do jogo político, principal fator de incerteza em 2018.

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