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Relatório da IEA mantém dúvidas sobre o petróleo

As cotações no mercado de petróleo subiram no início deste mês para os maiores níveis em três meses, próximos a US$ 39,8 o barril para o tipo Brent e US$ 37,3 o barril para o West Texas Intermediate (WTI), comparados a patamares ao redor de US$ 30 o barril em meados de janeiro, segundo o Relatório do Mercado de Petróleo da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês, um órgão da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE). Em editorial com o título Luz no Fim do Túnel, o texto procura explicar os motivos das enormes oscilações dos preços do óleo bruto nos últimos meses. Mas as dúvidas não foram afastadas.

23 Março 2016 | 03h00

De um lado há os fatores de baixa, como a desaceleração do crescimento da demanda, em especial nos Estados Unidos e na China. A IEA manteve as projeções para 2016, prevendo um aumento da demanda de apenas 1,2 milhão de barris/dia (b/d) em relação a 2015, bem inferior ao crescimento de 1,8 milhão de b/d registrado em 2015.

Do outro lado estão os fatores de alta, que predominaram nos últimos dias. Iraque, Nigéria e Emirados Árabes Unidos reduziram a produção. O aumento da oferta pelo Irã (após o fim das sanções) foi menor que o esperado. Para 2016, a IEA prevê queda da oferta de 750 mil b/d por parte dos produtores fora da Opep, notadamente Estados Unidos, pois a produção de shale gas tornou-se gravosa. A fraqueza do dólar também contribuiu para a alta das cotações do óleo. E não é descartado o efeito de uma ação conjunta dos produtores para reduzir a oferta.

Citado várias vezes no relatório, o Brasil enfrenta problemas de oferta e demanda. Está entre os países que mais rapidamente reduziram a demanda, devido à queda da atividade industrial. E a produção doméstica de petróleo caiu muito (180 mil b/d, entre dezembro e janeiro), em especial na Bacia de Campos. O escândalo na Petrobrás é parte dos problemas brasileiros: “Entre o desenvolvimento do escândalo de corrupção, que paralisou a indústria brasileira, e os preços baixos do óleo, a Petrobrás tem novamente de pegar o machado para cortar seus gastos e planos de produção”. O escândalo envolve fornecedores de que a Petrobrás necessita para desenvolver as áreas do pré-sal, segundo o texto.

O que parece claro é o impacto das oscilações de preços do óleo sobre os produtores, que acusam o golpe. Para eles, o pior é que não há certezas quanto ao comportamento futuro do mercado do petróleo.

 

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