Resultados do leilão de energia são promissores

Para entrega de energia a partir de 2022, foram contratados um total 39 empreendimentos, entre hidrelétricas, usinas movidas a biomassa, eólicas e solares fotovoltaicas

O Estado de S.Paulo

11 Abril 2018 | 03h00

O leilão de geração de energia de reserva promovido há dias pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) teve resultados muito positivos do ponto de vista dos preços médios da energia, muito inferiores aos tetos admitidos pela agência reguladora. O resultado é promissor para os consumidores de eletricidade, que pagam tarifas elevadas, entre as mais caras do mundo.

Foram contratados no leilão A-4, para entrega de energia a partir de 2022, um total 39 empreendimentos, entre hidrelétricas, usinas movidas a biomassa, eólicas e solares fotovoltaicas. Tanto a potência contratada (de 1.024 MW) como o volume de energia física assegurado (356 MW) são pouco expressivos, mas, mesmo assim, especialistas entendem que os preços podem se tornar, em alguns casos, referência para os próximos leilões.

Com deságio recorde de 73,5%, os projetos eólicos venderão energia a R$ 67,60 o MWh, muito inferiores ao mínimo de R$ 97,49 o MWh observado nos leilões anteriores da Aneel. Os projetos de energia solar mostraram deságio de 62,2% e preço de R$ 118,07 o MWh, para um mínimo histórico de R$ 143,50 o MWh. O deságio das térmicas a biomassa foi de 39,5% e o das hidrelétricas, de 31,92%. Segundo o então presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Barroso, os preços contribuirão para “segurar a alta de tarifas e trazê-las novamente ao patamar razoável”.

Toda a demanda de energia das distribuidoras foi atendida no leilão, marcado por elevada oferta de projetos que ficaram represados entre 2015 e 2017, quando as incertezas econômicas eram maiores.

Em alguns casos, os geradores não venderam para as distribuidoras toda a energia nova que será produzida em decorrência do leilão A-4, deixando parte da produção para ser oferecida no mercado livre, cujos preços oscilam conforme a oferta e a demanda.

Um diretor da Aneel, Tiago Correia, notou que o leilão, realizado no dia da rejeição do pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula pelo Supremo Tribunal Federal (STF), não foi afetado por eventos políticos. Isso reforça, segundo Correia, a atratividade do setor elétrico. O leilão é, portanto, um sinal positivo para os investimentos de longo prazo. A expectativa da agência reguladora é de que o leilão A-4 permita atrair investimentos num total de R$ 5,27 bilhões.

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