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Sem competência para crescer

O Estado de S.Paulo

07 Julho 2014 | 02h 03

Depois de crescer aceleradamente durante alguns anos e conquistar posições na economia global, o Brasil e outros emergentes perdem impulso e dificilmente alcançarão a renda média dos desenvolvidos até 2050. Outros, liderados pela China, continuarão avançando rapidamente, graças à elevação de sua produtividade, isto é, de sua capacidade de produzir mais com os mesmos recursos ou ainda com menos.

O alerta vem da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada por 34 países, principalmente desenvolvidos e com participação de alguns emergentes. A advertência vale de modo especial para os latino-americanos e muito claramente para o Brasil, uma das economias com menor crescimento nos últimos quatro anos.

A chamada era de ouro da América Latina está acabando, depois de uma década, ou pouco mais, de estabilidade macroeconômica e rápida expansão do Produto Interno Bruto (PIB) e do produto por habitante. Para a economia brasileira essa era terminou mais cedo. A retomada do impulso vai depender de um novo esforço para aumentar a eficiência econômica e, de modo especial, da mão de obra.

Economistas da OCDE examinaram o avanço e as condições de produtividade de 165 países e as suas possibilidades de reduzir a distância em relação às economias mais avançadas. Os números divulgados permitem comparações com os níveis dos países líderes, como Estados Unidos, Alemanha e Japão, ou com o padrão médio dos 34 membros da OCDE.

De acordo com o estudo, esse padrão médio correspondia, em 2011, a uma produção de US$ 86 mil por trabalhador formalmente empregado. No Brasil, a produtividade média, medida por esse critério, equivalia a US$ 29,23 mil por ano. No México, a US$ 39,43 mil. Nos Estados Unidos, a US$ 107,17 mil. Na China, a US$ 17,72 mil. Na Indonésia, a US$ 18,93 mil. Esses números, no entanto, contam apenas uma parte da história. Calculada pelo valor produzido, a eficiência média do trabalhador cresceu 15,32% no Brasil entre 2000 e 2011, enquanto avançou 172,53% na China, 49,65% na Indonésia e 17,67% nos Estados Unidos.

Os ganhos de produtividade da mão de obra explicam boa parte do crescimento econômico durante esse período e a redução da distância entre os emergentes e os países mais desenvolvidos. Parte do crescimento resultou do ganho de eficiência de outros fatores - como a infraestrutura, por exemplo - e da incorporação de mais recursos produtivos (mais capital, mais recursos naturais e mais mão de obra).

No caso do Brasil, uma parcela relevante do crescimento pode ser atribuída, segundo vários analistas nacionais e estrangeiros, à incorporação de mão de obra. Mas essa fonte de produção, advertem esses mesmos analistas, está praticamente esgotada e isso ajuda a explicar a relativa estabilidade do nível de emprego. Sem poder ampliar como em outros tempos o contingente de trabalhadores, o Brasil terá de dar muito mais atenção aos ganhos de produtividade. Estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) têm realçado esse ponto e chamado a atenção, de modo especial, para o encarecimento da mão de obra, um importante entrave à competitividade.

Além do mais, como observam os economistas da OCDE, a medida geral da produtividade do trabalho, no Brasil e em alguns outros países, é muito influenciada pelos bons números da agropecuária. Quando se consideram só os dados da indústria, aumenta a desvantagem do Brasil em relação ao padrão médio da OCDE.

De modo geral, os autores do estudo recomendam aos emergentes mais investimentos em infraestrutura, melhora educacional, maior esforço de inovação, reforma dos mercados de trabalho e de produtos e maior inserção no mercado internacional.

Para o Brasil há ainda outras sugestões, como a redução do custo e do peso da burocracia e a adoção de impostos menos prejudiciais à produção. São, de modo geral, problemas conhecidos, mas para enfrentá-los é preciso recorrer a algo melhor que remendos, improvisações e políticas populistas.

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