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Opinião

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Sem uniformes e impressoras

Mais uma vez, a rede pública de ensino fundamental não se preparou, no plano administrativo, para garantir o bom funcionamento das escolas e assegurar as condições mínimas de aprendizagem para os alunos, cujas aulas começaram há um mês. O problema vem ocorrendo tanto na rede municipal, sob gestão do PT, quanto na rede estadual, sob gestão do PSDB.

11 Março 2016 | 03h00

No caso da Prefeitura, cerca de 124 mil alunos não receberam até agora nem os uniformes – como jaqueta, blusão, calça, bermuda, camisetas, tênis e pares de meia – nem os materiais escolares básicos – como agenda, esquadros, régua, tesoura, cadernos de desenho, lápis, apontadores, caneta, giz de cera, borracha. Além disso, mais de 180 mil estudantes não receberam os materiais pedagógicos essenciais para as atividades em classe. A rede municipal de ensino atende quase 960 mil alunos. Os uniformes são distribuídos apenas para os estudantes da creche ao ensino fundamental. E os materiais escolares são distribuídos para jovens e adultos.

Em nota, a equipe do prefeito Fernando Haddad alegou que enfrenta dificuldades de logística, por causa do tamanho da rede municipal, e prometeu regularizar a situação dentro de três semanas. “Não é um trabalho fácil entregar 1,5 milhão de kits de uniforme e material escolar. A entrega não é feita toda de uma vez, dada a quantidade de alunos que têm direito aos kits e a distância das escolas”, diz a nota da Prefeitura. Informalmente, contudo, os diretores das unidades da rede municipal afirmam que a promessa do prefeito dificilmente será cumprida. Segundo a gestão Haddad, dos 850 mil kits que ainda faltam ser distribuídos, 687 mil já estariam garantidos.

Os atrasos, que ocorrem em todas as etapas de ensino – das creches às escolas de ensino fundamental, muitas delas situadas em bairros pobres da periferia –, estão obrigando os pais a comprar uniformes e materiais escolares por conta própria, para evitar que seus filhos tenham a aprendizagem comprometida. Em algumas escolas municipais, os diretores tentaram improvisar, usando sobras de materiais dos anos anteriores. No entanto, elas são insuficientes para atender às necessidades de todos os alunos.

No caso do governo estadual, cuja rede tem 4 milhões de alunos, o problema foi o recolhimento das impressoras utilizadas pelas 5,3 mil escolas, o que vem impedindo os professores de imprimir o material que precisam para usar em sala de aula, prejudicando com isso a aprendizagem dos estudantes. Entregues há cinco anos, as impressoras não pertencem às escolas, mas às empresas escolhidas por licitação pela Secretaria da Educação. Em nota, a Secretaria da Educação afirma que a rede conta com 10 mil impressoras de propriedade do governo estadual e que os contratos firmados com os fornecedores de equipamentos foram suspensos, para permitir redução de custos.

Os diretores das escolas alegam que as impressoras da Secretaria são muito velhas e não atendem às necessidades dos professores e das secretarias das escolas. Até agora, a equipe do governador Geraldo Alckmin não deixou claro se disponibilizará impressoras novas – e em quantidade suficiente. Também não indicou como as escolas deverão passar a agir, por falta de impressoras. Sem alternativas, em plena época dos meios de comunicação eletrônica, estão recorrendo a um equipamento em desuso há décadas – o mimeógrafo.

Os atrasos na entrega de uniformes e material escolar aos alunos da rede municipal e o recolhimento de impressoras nas escolas estaduais mostram como se administra a educação pública, independentemente dos partidos que estejam à frente dos Estados e municípios. Essa falta de planejamento tem um impacto negativo no trabalho educacional e pedagógico, e se reflete no baixíssimo aproveitamento dos alunos, como tem sido revelado pelos mecanismos nacionais e internacionais de avaliação da qualidade da rede pública de ensino básico.

 

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