Serviço de ônibus piora

Além de deixar de lado, de uma vez por todas em seu governo, aventuras como a do congelamento, o que o prefeito precisa fazer para melhorar o serviço de ônibus é realizar o quanto antes a licitação para a escolha das novas concessionárias

O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2017 | 03h07

O serviço de ônibus da capital continua a piorar, ao contrário da natural expectativa gerada pela instalação de uma nova administração municipal, que já está na segunda metade de seu primeiro ano. Embora esse seja um tempo suficiente para mostrar sinais mesmo tímidos de melhora, a população tem razões de sobra para inquietar-se com o que está acontecendo, a julgar pelos resultados de avaliação feita pela SPTrans, a empresa municipal que administra o serviço, como mostra reportagem do Estado.

São dados oficiais, que afastam, portanto, qualquer suspeita de parcialidade. A avaliação das empresas de ônibus é feita por meio do Índice de Qualidade do Transporte (IQT), que leva em conta, entre outros itens, o número de falhas na execução do serviço, o respeito às partidas programadas e a limpeza e conservação dos veículos. As notas que recebem com base nesses critérios entram no cálculo da remuneração das empresas.

Os resultados, nada animadores, devem servir de alerta a todos os que têm uma parcela de responsabilidade na prestação do serviço – das empresas à Prefeitura. Das 32 empresas de ônibus, só 6 demonstraram desempenho considerado bom no mês de agosto. Uma piora considerável, já que em janeiro 20 delas tiveram aquela avaliação. O número das que tiveram desempenho regular subiu de 11 para 23. Mas 3 tiveram nota ruim em agosto para apenas 1 em janeiro.

É desanimador, também, constatar que a idade média da frota é a mais alta desde 2006, com o maior número de veículos em operação acima do máximo de dez anos, estabelecido pelo contrato da Prefeitura com as concessionárias. E que houve ainda redução de 22 milhões de viagens (é considerada viagem cada vez que a catraca é girada) entre janeiro e agosto deste ano, em comparação com igual período do ano passado. E o número de ônibus em circulação teve uma ligeira diminuição – de 14,7 mil em janeiro para 14,4 mil em setembro.

Tudo isso somado explica a maior duração das viagens e o maior tempo de espera nos pontos, que são duas das principais reclamações dos passageiros. Num ponto o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanus) tem razão: os buracos nas ruas e avenidas e os semáforos que enguiçam com frequência também colaboram para alongar as viagens e a espera nos pontos. E esses são dois outros problemas que, ao contrário do que se deveria e poderia esperar, estão piorando em vez de melhorar no governo do prefeito João Doria.

E tem mais. O serviço de ônibus não só piorou, como ainda ficou mais caro. Ou seja, estamos diante de uma dupla infelicidade para os paulistanos. Entre janeiro e setembro, em comparação com igual período de 2016, o gasto com subsídios ao serviço foi 18% maior. O total de subsídio pago até setembro passou de R$ 2,2 bilhões. Para isso colaborou grandemente a desastrada decisão de Doria de congelar a tarifa de ônibus (R$ 3,80) durante 2017, um gesto demagógico pelo qual os paulistanos estão pagando caro.

Boa parte dos bilhões que este ano vão subsidiar os ônibus será retirada de outros setores da administração. Em outras palavras, eles vão sofrer para ajudar a manter um serviço ruim e dar cobertura a um ato infeliz do prefeito, que não tem desculpa, pois a experiência mostra sobejamente – e é impossível que ele não soubesse disso – que congelar preços e tarifas sempre tem um final ruim.

Além de deixar de lado, de uma vez por todas em seu governo, aventuras como a do congelamento, o que o prefeito precisa fazer para melhorar o serviço de ônibus é realizar o quanto antes a licitação para a escolha das novas concessionárias, com obrigações contratuais que levem à tão esperada reforma desse setor de importância vital para os paulistanos. Ela estava prevista para agosto e foi uma grande frustração o seu adiamento. A situação de provisoriedade hoje existente – o serviço funciona com base em aditivos a contratos assinados em 2003 – se tornou insustentável.

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