Superávit é recorde, mas exportação reage devagar

Com superávit de US$ 6,4 bilhões em maio, de US$ 20,4 bilhões entre janeiro e 3 de junho e de US$ 42 bilhões em 12 meses, até maio, a balança comercial reforça seu papel como principal item positivo da economia brasileira. O que técnicos esperam para o ano são superávits ainda maiores, entre um mínimo de US$ 40 bilhões e um máximo de US$ 58 bilhões. 

O Estado de S. Paulo

08 Junho 2016 | 03h00

O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Daniel Godinho, notou que se o saldo positivo superar US$ 46 bilhões será o maior da história. Especialistas acrescentam que o superávit já ajuda a contabilidade nacional, evitando queda maior do PIB.

Mas a questão central diz respeito à recuperação das exportações, pois até agora o superávit dependeu mais da queda das importações, derivada da recessão. Se o ritmo de atividade se recuperar, como se espera, as importações de US$ 55,4 bilhões neste ano voltarão a crescer e o superávit – que reforça o PIB – poderá diminuir.

Maio mostrou que a recuperação das exportações é lenta. A economista Julia Gottlieb, do Banco Itaú, notou que as exportações dão “sinais de avanço em diferentes setores” e previu melhora nas contas externas nos próximos anos. Mas entre maio de 2015 e maio de 2016 as vendas de industrializados aumentaram somente 8,9% e isso se deveu em parte à operação fictícia de exportação de uma plataforma de petróleo no valor de US$ 807 milhões. Entre os primeiros cinco meses de 2015 e 2016, as exportações ainda caem 2,6% e estão em US$ 73,5 bilhões.

Entre os manufaturados que mais ajudaram as vendas de maio estão aviões, tubos flexíveis de ferro e aço, veículos de carga, suco de laranja, polímeros plásticos, máquinas para terraplenagem e óxidos e hidróxidos de alumínio. O aumento de quase 40% das vendas de automóveis de passageiros se explica mais pela política das multinacionais do setor. Em semimanufaturados destacaram-se ouro, alumínio em bruto, catodos de cobre, óleo de soja, açúcar e madeira.

Nos básicos, cotações melhores do minério de ferro fizeram crescer em 37,3% as vendas comparadas às de maio de 2015, mas caíram as de café, fumo, petróleo em bruto, soja em grão e farelo de soja.

O País depende muito das vendas de básicos, em especial para a China. Seria melhor se vendesse mais manufaturados para os Estados Unidos e a Europa, o que poderia ajudar a recuperar a indústria brasileira ainda em dificuldades.

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