Um respiro no segmento de imóveis residenciais

Caso se confirme, a estabilização do mercado decorrerá da diminuição da oferta de moradias nas áreas de maior demanda

O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2016 | 02h51

Os indicadores mais recentes da associação dos incorporadores (Abrainc) e do Secovi-SP reforçam a hipótese de que o mercado de moradias está mais próximo da estabilização. Os dados sobre lançamentos, produção e vendas ainda são fracos, mas há alguns sinais mais promissores.

Em setembro, a pesquisa mensal do Secovi registrou a venda de 1.717 imóveis residenciais novos na cidade de São Paulo, 59,3% mais do que em agosto (1.078 unidades) e 23,3% acima de setembro de 2015 (1.392 unidades). Os lançamentos residenciais em São Paulo, pesquisados pela Embraesp, foram de 2.165 unidades, 83,9% acima de agosto (1.177 unidades) e 66,9% superiores a setembro de 2015 (1.297 unidades).

Mas, quando se comparam períodos mais longos, os dados ainda são tão negativos que os dirigentes do Secovi rejeitam a ideia de que há “uma reação do mercado”.

Os números da Abrainc, que dão mais ênfase à comparação em períodos longos, confirmam a análise do Secovi. O importante, no caso, é que as quedas parecem ser mais brandas.

Nos lançamentos, por exemplo, a comparação entre os últimos 12 meses, até setembro, com os 12 meses anteriores registrou queda de 1,1%, mas, entre os primeiros nove meses de 2015 e de 2016, houve alta de 8,1%. Nas mesmas bases de comparação, as vendas caíram 12,7% e 10,6%.

O que mais tem preocupado os incorporadores são os distratos – desistências da aquisição pelo mutuário final –, que caíram em números absolutos 0,9% em 12 meses; 4,4% entre os primeiros nove meses de 2015 e de 2016; e 8,1% entre agosto e setembro.

Caso se confirme, a estabilização do mercado decorrerá da diminuição da oferta de moradias nas áreas de maior demanda. Em São Paulo, por exemplo, as restrições ao lançamento de novos projetos encareceram as construções. Além disso, incorporadoras que foram bem-sucedidas nos leilões destinados a cortar estoques já mudaram a política de preços, na tentativa de manter as margens.

Bem mais difícil é a situação na região metropolitana de São Paulo, com diminuição notável dos lançamentos. É consequência da baixa demanda por famílias de menor renda, as mais atingidas pela recessão.

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