Um sinal de confiança nas vendas a prazo

A elevação de 2,1% no número de consultas para vendas a prazo na primeira quinzena de junho na cidade de São Paulo, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Boa Vista Serviços, elaborados pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), pode ser mais significativa do que pode parecer. Este é o primeiro dado positivo desde março de 2015, ou seja, depois de 14 meses de contração, revelando certo aquecimento das vendas no varejo.

O Estado de S. Paulo

30 Junho 2016 | 03h00

O economista Emilio Alfieri, da ACSP, pondera que a primeira metade do mês de junho de 2016 teve um dia útil a mais do que a de 2015, o que pode ter influenciado o resultado. Mas, quando se compara a primeira quinzena de junho com a de maio, com idêntico número de dias úteis, há um avanço de 10,4%.

Em junho, mês em que as temperaturas são mais baixas, cresce a procura de aquecedores, chuveiros elétricos, cobertores, agasalhos, mas o efeito sazonal sobre o movimento de vendas é estimado em 0,08%, muito aquém do aumento verificado. De qualquer forma, o resultado vem confirmar outros indicadores, que igualmente apontam recuperação do nível de atividade, embora não cheguem ainda a configurar uma tendência.

Fator importante a considerar é que, em vista dos altos níveis de inadimplência, os estabelecimentos comerciais e as instituições financeiras vêm trabalhando com critérios mais restritivos para a concessão de financiamentos, exigindo que os tomadores tenham “ficha limpa”. O maior ânimo do consumidor em condições de contrair crédito em assumir compromissos a mais longo prazo é um sinal de confiança na evolução da economia.

O que se vê “é um retrato, não um filme”, no dizer do economista da ACSP, mesmo porque a economia ainda é afetada por um alto nível de desemprego e por uma inflação ainda alta, além das incertezas que persistem no plano político.

Apesar disso, o comércio, em decorrência da queda tão prolongada de vendas, foi levado a desovar os estoques por meio de liquidações ou descontos especiais. Agora chegou o momento de renovar os estoques e fazer novas encomendas à indústria para atender a um progressivo crescimento da demanda.

Como observa Alfieri, na virada dos ciclos econômicos, alguns setores saem na frente, puxando a recuperação econômica. E o aumento nas vendas no varejo pode vir a ser o gatilho.

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