Uma agourenta prévia do PIB

O ano começou muito mal, segundo a maior parte dos indicadores, e a recessão se aprofundou em janeiro, de acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), usado fora do governo como prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Pela nova estimativa, em janeiro a atividade foi 0,61% menor que em dezembro e 6,70% inferior à de um ano antes, na série livre de efeitos sazonais. Em 12 meses, a queda chegou a 4,44%. No ano passado, o IBC-Br diminuiu 4,11%. Duas semanas depois de conhecido esse dado, as contas nacionais foram divulgadas, mostrando um recuo de 3,8% do PIB. Há em geral uma pequena divergência entre os números, mas a tendência mostrada pela prévia é normalmente confirmada pelas contas consolidadas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Estado de S.Paulo

17 Março 2016 | 03h00

Boa parte dos indicadores parciais de janeiro já foi publicada pelo IBGE. O volume de vendas do varejo “ampliado” foi 1,6% inferior ao de dezembro e 13,3% menor que o de um ano antes. O adjetivo “ampliado” denota a inclusão das vendas de veículos, peças e componentes e também de material de construção. O resultado do setor de serviços foi 5% menor que o de janeiro de 2015. O número geral da indústria foi positivo, com crescimento mensal de 0,4% em janeiro.

O ano geralmente começa com um dado positivo, em parte explicável pela recomposição de estoques depois do período de festas. O de janeiro de 2016 foi até maior que o de janeiro de 2015, quando a variação ficou em 0,2%. Mas a contração havia sido muito mais ampla. Em janeiro do ano passado, a produção industrial foi 4,8% menor que a de um ano antes. Em janeiro de 2016, o volume produzido foi 13,8% inferior ao de janeiro de 2015. A redução foi quase o triplo da registrada entre o começo de 2014 e o do ano seguinte.

Nada, por enquanto, permite apostar em uma recuperação da atividade industrial até dezembro ou mesmo nos primeiros meses de 2017. A demanda interna continua fraca, falta rumo à política econômica e os indicadores de confiança tanto dos consumidores quanto dos empresários estão muito baixos. A disposição para investir, de acordo com todas as sondagens, é mínima.

Isso se explica tanto pela insegurança em relação ao curto e ao médio prazos quanto pelo baixo nível de uso da capacidade instalada, de 75,9% em janeiro, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Antes de pensar na compra de novas máquinas e na ampliação das instalações, o empresário precisa ocupar pelo menos uma boa parcela da capacidade hoje ociosa.

Vender ao mercado externo pode ser um passo inicial para a reativação, mas, até agora, as exportações da indústria continuam em marcha muito lenta, depois de anos de estagnação ou mesmo contração. Não se recuperam mercados de um dia para outro e, além disso, o poder de competição depende de algo mais que um câmbio favorável. Esse algo mais envolve ganho de eficiência e pouco se fez nos últimos anos para aumento da produtividade.

As projeções denotam, até agora, expectativas de mais um ano muito ruim para a economia brasileira e, de modo especial, para a indústria. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima para o PIB do Brasil, neste ano, uma contração de 4%. Nessa segunda-feira, o banco Morgan Stanley anunciou novas previsões econômicas para o País. A variação estimada para a produção passou de -3% para -4,3%.

No mercado, a mediana das projeções para o PIB recuou de -3,50% para -3,54%, segundo a pesquisa Focus, conduzida pelo BC. Para a produção industrial a estimativa melhorou ligeiramente, mas continuou muito ruim: agora se espera um recuo de 4,45%. Em contrapartida, o crescimento do produto industrial previsto para 2017 recuou de 0,57% para 0,5% – mas essa expansão, se confirmada, ocorrerá a partir de uma base muito baixa.

Continua difícil de encontrar algum sinal de otimismo nas projeções econômicas para o País. Nem o BC colabora para tornar o cenário menos sombrio.

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