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Vendas compatíveis com a intensidade da recessão

'Do ponto de vista do volume de vendas, a Serasa tratou o Natal de 2015 como o pior desde 2003'

01 Janeiro 2016 | 03h00

Os indicadores do comportamento do varejo em dezembro – e principalmente às vésperas do Natal – são indicativos de que tanto o volume físico de vendas quanto o faturamento das lojas registraram quedas em relação a igual período de 2014. Entre 18 e 24 de dezembro, as vendas do varejo no País caíram 6,4% comparativamente a 2014, segundo a Serasa Experian. A FecomercioSP, com base em consultas feitas no banco de dados da Boa Vista SCPC, registrou recuo de 2,8% em relação a 2014. A associação de lojistas de shoppings (Alshop) estimou uma queda de 1% nas vendas dos 893 shopping centers em operação no País entre 1.º e 24/12 de 2015 sobre 2014.

A maior parte das empresas do comércio já se preparava para a queda. Em novembro, segundo a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e o SPC Brasil, 43% dos pequenos empresários já estudavam as promoções de vendas em dezembro – e um porcentual maior (49%) fez de fato promoções natalinas. Mas a maioria evitou dar descontos, levando em conta que o Natal é uma boa época para obter elevada margem de lucro. Hoje, a CNDL calcula que 35% das lojas tenham estoque superior às necessidades.

Do ponto de vista do volume de vendas, a Serasa tratou o Natal de 2015 como o pior desde 2003. Também houve recuo entre dezembro de 2013 e dezembro de 2014, mas em proporções menores (-1,7%).

O comportamento das vendas oscilou conforme a região e os produtos – e as áreas de comércio popular parecem ser bom exemplo. Na região do Brás, em São Paulo, as vendas caíram pouco (1% a 2% entre o Natal de 2014 e o Natal de 2015), ao mesmo tempo que na Rua 25 de Março se constatava uma forte diminuição do movimento de pessoas – e, provavelmente, de vendas.

Produtos como os de perfumaria e cosméticos, vestuário, bijuterias, acessórios e brinquedos foram mais procurados. Mas nas vendas do varejo ampliado, assim denominado pelo IBGE ao incluir as vendas de veículos, motos e material de construção, a queda entre dezembro de 2014 e dezembro de 2015 chega a 12%, estima a FecomercioSP.

Confirmou-se o esperado: muitas famílias preferiram usar a segunda parte do 13.º salário para pagar contas, e não para consumir. Tomar dívidas para o consumo transformou-se em anátema para muitos: caíram 15,84% as consultas para compras a prazo, segundo a CNDL. E não há otimismo para as vendas a varejo em 2016.

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